México pede fim do embargo “medieval” a Cuba na ONU

Cidade do México (EFE).- O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu nesta quinta-feira uma votação unânime contra o bloqueio “medieval” a Cuba no debate anual sobre o embargo dos Estados Unidos à ilha realizado na Assembleia Geral da ONU.

“Espero que hoje, segundo entendo, haja uma votação que seja unânime a favor do fim do bloqueio a Cuba e espero que o governo dos Estados Unidos aja de acordo”, disse o presidente em sua coletiva de imprensa.

A Assembleia Geral da ONU iniciou seu debate anual sobre o embargo contra Cuba, que culminará hoje com a aprovação de uma nova resolução para condenar essa política e exigir seu fim.

López Obrador criticou que, desde que Cuba apresentou o texto em 1992, “sempre que esta questão é votada nas Nações Unidas, a grande maioria vota pelo levantamento do bloqueio, mas um, dois ou três, e sempre os Estados Unidos são contra e exercem um veto”.

“Acredito que o que foi feito contra Cuba com o bloqueio do governo dos Estados Unidos é uma infâmia, é uma medida retrógrada, medieval, desumana, porque não é possível isolar ainda mais um país como Cuba”, afirmou.

O presidente mexicano denunciou que é “uma clara violação dos direitos humanos”.

“Por que precisam padecer, sofrer, aqueles que vivem em um país que decidiram manter um sistema político de acordo com suas decisões, de acordo com um processo revolucionário? Por que afetar seu povo?”, questionou.

Os EUA se abstiveram na votação de 2016, em meio ao processo de reaproximação com Cuba pelo governo de Barack Obama, que permitiu que a resolução fosse adiante sem oposição, embora tenha voltado à tradicional rejeição com seu sucessor, Donald Trump.

No ano passado, em sua primeira oportunidade para se pronunciar, porque em 2020 não houve votação por conta da pandemia, o governo de Joe Biden manteve o “não”.

Ainda assim, López Obrador “não descartou uma mudança na política em relação a Cuba” com Biden.

“Gostaria muito que o sonho que temos hoje se realize, eu seria o primeiro a ligar para o presidente Biden”, disse. EFE