Putin descarta possível ataque nuclear preventivo contra Ucrânia ou Ocidente

Moscou (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, descartou nesta quinta-feira um possível ataque nuclear preventivo contra a Ucrânia ou o Ocidente, em resposta aos supostos planos do Kremlin de usar armas de destruição em massa como parte da atual campanha militar no país vizinho.

“Não posso me imaginar no lugar do (líder soviético Nikita) Khrushchev. Em nenhum caso”, disse Putin durante a sessão plenária do clube de debate Valdai na região de Moscou, referindo-se à crise dos mísseis de Cuba, que recentemente completou 60 anos.

No dia anterior, Putin acompanhou um teste nuclear massivo durante as primeiras manobras de suas forças estratégicas desde o início da intervenção militar russa na Ucrânia.

O presidente russo recomendou que os ocidentais estudem a doutrina de dissuasão nuclear do país que ele mesmo aprovou em junho de 2020 e que não contempla um ataque preventivo.

“Que a leiam”, declarou, acrescentando que a Rússia só usará “armas de destruição em massa, armas nucleares, para a defesa de sua soberania, integridade territorial e para garantir a segurança do povo russo”.

Mesmo assim, admitiu que “enquanto existirem armas nucleares, o perigo de seu uso sempre existirá”, embora tenha lembrado que os Estados Unidos foram o único país a usar uma bomba atômica contra outro Estado não atômico, o Japão, em agosto de 1945.

“Nunca falamos diretamente sobre o possível uso de armas nucleares pela Rússia. Apenas respondemos às declarações feitas pelos líderes dos países ocidentais”, comentou.

Putin diz que acusações contra Rússia são “sandices”

O chefe do Kremlin qualificou como “sandices” as acusações de que Moscou ataca a usina nuclear ucraniana de Zaporizhzhya, quando esta usina está sob seu controle desde o início da “operação militar especial” em fevereiro.

Além disso, criticou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que estão na usina por não denunciarem de onde realmente vêm os projéteis que atingem as proximidades das instalações nucleares.

Putin enfatizou que “não faz sentido político nem militar” que a Rússia use uma “bomba suja” contra a Ucrânia, a quem acusou de tentar fabricar esse tipo de explosivo não atômico, mas com elementos radioativos.

O presidente russo ainda tachou de “primitiva” a chantagem nuclear do Ocidente destinada a pressionar os países amigos do Kremlin e também os neutros a renunciar à cooperação com o Kremlin.

Durante seu discurso no fórum, também assegurou que Moscou está disposta a dialogar com os EUA sobre estabilidade estratégica.

“Se quiserem, estamos prontos. Se não quiserem, está tudo bem. Desenvolvemos nossa tecnologia moderna, incluindo armas hipersônicas”, ressaltou.

Diálogo com os EUA

Nesse sentido, previu que os EUA, que hoje realizaram um teste com armas hipersônicas, alcançarão a Rússia nessa área.

“Por enquanto eles não nos alcançaram e nós as temos. Estamos desenvolvendo essa tecnologia. Se alguém quiser falar conosco sobre isso, estamos prontos”, reiterou.

O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, alertou Putin na quinta-feira que a resposta da comunidade internacional será “significativa” se Moscou lançar um ataque nuclear.

Austin fez as observações durante a apresentação das revisões de 2022 da Estratégia de Defesa Nacional, Postura Nuclear e Defesa com Mísseis dos EUA.

Sobre a postura nuclear, o documento insiste que “os Estados Unidos só considerarão o uso de armas nucleares em circunstâncias extremas” para defender seus interesses vitais e os de seus aliados e parceiros. EFE