Putin tenta acalmar mães de soldados e lhes promete vitória na Ucrânia

Moscou (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tentou nesta sexta-feira confortar as mães dos soldados que lutam na Ucrânia, dizendo que resolveria os problemas de abastecimento enfrentados pelos militares, ao mesmo tempo que lhes prometeu a vitória no campo de batalha.

“Instruirei a Administração (presidencial) e o governo para, como vocês solicitaram, estabelecermos contato direto com vocês para apoiá-las”, afirmou Putin durante a reunião realizada na região de Moscou.

As mães, que não incluíam o recém-criado Comitê de Mães e Esposas, altamente crítico ao Kremlin, defenderam a necessidade de novos uniformes, comida quente, subsídios e ofertas de emprego após a participação na campanha militar na Ucrânia.

“Nós, como vocês disseram, devemos atingir nossos objetivos. E vamos alcançá-los. Sem dúvida”, declarou Putin, após a retirada das tropas russas nos últimos três meses de vários redutos ucranianos, incluindo o terço norte da região sulista de Kherson.

Entre outras coisas, reconheceu a necessidade de “livrar-se” dos funcionários que tratam os cidadãos de forma “arrogante” e “fria”, sobretudo no quadro da mobilização, que provocou o êxodo de centenas de milhares de russos em idade militar.

Dor compartilhada

Ao iniciar a reunião, Putin também disse que “compartilhava” a dor das mães que perderam seus filhos no front ucraniano e sugeriu a criação de um sistema de reabilitação para soldados feridos.

A este respeito, salientou que os hospitais militares têm ocupados apenas 38% de seus leitos, embora o portal “Mediazona” tenha contabilizado um total de 9.311 soldados mortos, o que incluiria 326 mobilizados.

O Ministério da Defesa da Rússia relatou baixas em suas fileiras apenas três vezes desde o início da operação militar em fevereiro, a última em 21 de setembro, quando Putin anunciou uma mobilização parcial.

Na ocasião, Moscou estimou os mortos em 5.937, enquanto Kiev cifra em dezenas de milhares o número de combatentes russos mortos nos últimos nove meses.

Putin também admitiu hoje que, embora seja fácil falar em retrospecto, agora é “óbvio” que a Rússia poderia ter iniciado a “reunificação” muito antes, referindo-se à anexação de quatro regiões ucranianas, o que teria evitado muitas mortes entre civis.

Putin espera chegar a acordo

“Pensamos que um acordo poderia ser alcançado e Lugansk e Donetsk, dentro da estrutura dos Acordos de Minsk (…), seriam de alguma forma reunificados com a Ucrânia”, comentou.

Muitas mulheres se queixaram em diferentes regiões do país da falta de treinamento militar e das más condições em que seus maridos e filhos enviados para a frente ucraniana têm que servir.

O recém-criado Comitê de Mães e Esposas denuncia que as mulheres convidadas para o encontro de hoje com Putin são ligadas ao Kremlin.

“Vladimir Vladimirovich (patronímico de Putin), você é um homem ou o quê? (…) Estamos aqui em Moscou, estamos prontas para conhecê-lo. Aguardamos sua resposta. Ou você está se escondendo de novo?”, questionou Olga Tsukanova, líder desse comitê, nas redes sociais.

A oposição russa pediu a Putin que assinasse um decreto que ponha fim, de uma vez por todas, à mobilização parcial, afirmou nesta semana à EFE Emilia Slabunova, deputada do partido liberal Yábloko, uma vez que alguns ativistas denunciaram que o alistamento continua em algumas regiões.

“No dia 8 de março, ao parabenizar as mulheres, o presidente disse que apenas soldados profissionais iriam lutar na Ucrânia”, lembrou Slabunova, quando no país vizinho também combatem mobilizados, voluntários e, no início da campanha, até mesmo recrutas que faziam serviço militar. EFE