Sem favoritos, Brasil e mais 4 países apresentam candidatos a presidir o BID

Washington (EFE).- Cinco países latino-americanos – Brasil, México, Chile, Argentina e Trinidad e Tobago – apresentaram candidatos a presidir o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sem que nenhum deles desponte como favorito por enquanto.

Embora os países já tenham tornado seus nomes públicos nos últimos dias, foi somente na noite de sexta-feira que o BID os confirmou por meio de um comunicado, alguns minutos após o prazo de expiração para a apresentação de candidaturas.

São eles o economista brasileiro Ilan Goldfajn, chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI); Nicolás Eyzaguirre, ex-ministro da Fazenda e Educação do Chile; Gerardo Esquivel, vice-governador do Banco do México (Banxico); Cecilia Todesca, que foi vice-chefe de gabinete e subgerente-geral de Relações Institucionais do Banco Central Argentino; e Gerard Johnson, de Trinidad e Tobago.

Ontem, o BID afirmou que seu regimento interno não contempla a possibilidade de adiar a eleição para a presidência do organismo, conforme solicitado pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Mantega, que faz parte do processo de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, confirmou na sexta-feira que entrou em contato com vários países das Américas para solicitar o adiamento da eleição à presidência do BID.

Ministro nos governos de Lula e de sua sucessora, Dilma Rousseff, Mantega questionou a candidatura de Goldfajn em entrevista à emissora “Globonews” e afirmou que Bolsonaro tentou “dar mais um golpe” ao propor o ex-presidente do Banco Central nas vésperas da eleição.

“Não estou dizendo que ele é um candidato ruim, mas Bolsonaro tentou dar outro golpe, criar um fato consumado e nomear um presidente do BID de forma equivocada. Não foram negociar com Argentina, Peru, Colômbia ou Uruguai. Simplesmente lançaram um candidato”, declarou o ex-ministro da Fazenda.

Neste domingo, Goldfajn e os outros quatro candidatos serão formalmente apresentados em sessão a portas fechadas perante o Conselho de Governadores do BID, composto pelos ministros das Finanças ou da Economia e outras autoridades econômicas dos 48 países-membros.

Já no próximo domingo, 20 de novembro, serão estes que votarão, em segredo, em um dos cinco candidatos a substituir a hondurenha Reina Irene Mejía, que ocupou a presidência do BID nas últimas semanas, após a destituição do americano de origem cubana Mauricio Claver-Carone.

Este último perdeu a confiança da Assembleia depois que uma investigação externa confirmou que ele mantinha um relacionamento amoroso com uma subordinada, que recebeu vários aumentos salariais.

O ex-presidente foi eleito em setembro de 2020 e se tornou o primeiro não latino-americano a ocupar o cargo, em meio a controvérsias desde que o então presidente dos EUA, Donald Trump, o indicou pouco antes do final de seu mandato.

Os Estados Unidos conseguiram que Claver-Carone vencesse então, depois de obter o apoio de vários países latino-americanos, como Brasil, Colômbia, Bolívia e Uruguai, depois que a região não apresentou um candidato de consenso.

Na votação que será realizada no dia 20, os países votam com capacidade de voto diferente. Os Estados Unidos têm a maior, 30%; seguidos por Argentina e Brasil, com 11,3%, respectivamente; e México, com 7,2%.

O vencedor, que é eleito para um mandato de cinco anos (e com possibilidade de reeleição), também deve contar com o apoio de pelo menos 15 dos 28 países da região.

O BID é a principal fonte de financiamento para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe e oferece empréstimos, doações e assistência técnica aos países. Do total de 48 membros, 26 deles são mutuários. EFE