Trump é processado por morte de policial após ataque ao Capitólio

Washington (EFE).- A viúva do policial Brian Sicknick, que foi agredido durante o ataque ao Capitólio e morreu um dia depois, entrou com uma ação contra o ex-presidente Donald Trump (2017-2021), segundo informou nesta sexta-feira a imprensa americana.

O processo, aberto na noite de quinta-feira no tribunal federal de Washington, foi apresentado na véspera do aniversário de dois anos da invasão do Capitólio, que deixou cinco mortos, Sicknick entre eles, e centenas de feridos.

Sandra Garza, viúva de Sicknick, afirma no documento do tribunal que a morte do agente foi uma “consequência direta e previsível” das palavras de Trump em um discurso a seus apoiadores em 6 de janeiro.

O ex-presidente fez um discurso incendiário na Casa Branca antes do ataque ao Capitólio, no qual instigou seus apoiadores a marchar até a sede do Congresso, em meio a alegações infundadas de que houve fraude nas eleições presidenciais de 2020.

O processo também cita dois dos invasores, Julian Khater e George Tanios, por agredir Sicknick, atacando-o com repelente de urso e deixando-o incapaz de “se defender contra a multidão”.

Khater e Tanios se declararam culpados no ano passado das acusações relacionadas à agressão e aguardam a sentença.

Morte “natural”

Embora um legista tenha determinado na época que a morte de Sicknick foi “natural” devido a um derrame, os advogados de Garza afirmam no processo que “todos os eventos de 6 de janeiro (…) desempenharam um papel na condição que levou à morte” do policial.

O processo busca que sejam formuladas contra Trump e os dois invasores acusações de morte por negligência e conspiração para violar os direitos civis. Além disso, propõe acusações de agressão contra Khater e Tanios e uma acusação adicional contra Trump por apoiar e incitar a agressão ao policial.

Os advogados, por sua vez, pedem um mínimo de US$ 10 milhões como indenização a cada um dos processados.

Nesta sexta-feira, no Capitólio, os legisladores democratas observaram um minuto de silêncio em homenagem aos policiais vítimas do ataque, já que, além de Sicknick, 140 agentes ficaram feridos. Os demais mortos, quatro, eram apoiadores de Trump.

Sicknick, de 42 anos, estava na polícia do Capitólio desde 2008.

Segundo dados das autoridades, cerca de 140 agentes foram agredidos por manifestantes que apoiavam o ex-presidente, armados com machados, bastões, tacos de hóquei e outras armas.

Em 6 de janeiro de 2021, centenas de apoiadores de Trump invadiram a sede do Congresso, quando estava sendo realizada uma sessão conjunta das duas câmaras para ratificar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições de novembro do ano anterior. EFE