Ucrânia quer oferecer cenários de guerra como destinos turísticos

Praga (EFE).- A Ucrânia quer transformar alguns dos cenários que a invasão russa no país tornou internacionalmente famosa em destinos turísticos para promover este setor e, ao mesmo tempo, ajudar a não esquecer o sofrimento e a destruição que sofreu nas mãos da Rússia.

A informação foi confirmada à EFE por Mariana Oleskiv, presidente da Agência Estatal de Turismo e Desenvolvimento da Ucrânia, que participou em Praga da 104ª Assembleia Geral da Comissão Europeia de Viagens.

Dessa forma, a destinos já conhecidos como a antiga central nuclear de Chernobyl, que em 2019 foi visitada por mais de 100.000 pessoas, a capital Kiev e a cidade patrimônio da Unesco de Lviv, querem agora adicionar “novos produtos relacionados com a guerra”.

Por enquanto, a agência estatal ucraniana começou a trabalhar com cidades como Bucha e Irpin, onde centenas de civis foram mortos por tropas russas.

Oleskiv opinou que o turismo seria uma forma de “celebrar esses lugares”, que foram símbolos dos combates e atrocidades cometidas pela Rússia na Ucrânia.

“Tenho a certeza que as pessoas vão ter interesse em saber o que aconteceu”, declarou, acrescentando que é importante “construir memoriais que recordem a guerra, alguns acontecimentos trágicos e de coragem”.

Esse foco no turismo, segundo disse, é uma forma de preservar a memória histórica, agora que “estão frescos os acontecimentos dramáticos vividos” durante os nove meses que já duram a invasão russa.

Outra parada deste futuro circuito turístico, que terá seu monumento comemorativo, será o aeroporto de Hostomel, libertado pelos soldados ucranianos.

A prioridade agora é trabalhar com o turismo local, que caiu 50% em relação a 2021.

Em todo o caso, os gestores de turismo ucranianos duvidam que já tenha chegado o momento de promover estes destinos turísticos, uma vez que a guerra continua e o país não pode relaxar.

“Trabalhamos muito para vencer a guerra e todos precisamos recarregar nossas baterias e recuperar forças para continuar lutando por nós mesmos”, comentou a principal responsável pela promoção do turismo ucraniano.

Felizmente, segundo Oleskiv, a guerra não destruiu a infraestrutura turística.

Em relação aos visitantes em potencial, a campanha de turismo na Ucrânia se concentrará naqueles que apoiaram a Ucrânia de alguma forma.

“A mensagem é ‘obrigado pelo apoio, pelas doações, por ajudar os refugiados e dar-lhes empregos. Agora precisamos que você venha e gaste dinheiro aqui. Ajude-nos financeiramente'”, explicou Oleskiv, destacando que parte da estratégia seria conseguir o apoio de celebridades que visitaram a Ucrânia durante a guerra. EFE