Santiago Andrés Cafiero,EFE/Arquivo/Juan Ignacio Roncoroni

Argentina precisa do Brasil rapidamente para que “a produção não diminua”

Buenos Aires, 3 mai (EFE) – O governo da Argentina reconheceu nesta quarta-feira que precisa encontrar “rapidamente” um mecanismo, sem depender do dólar e devido à escassez de divisas, para sustentar o comércio com o Brasil, seu principal parceiro comercial, e garantir “que a produção argentina não diminua”.

“O que viemos propor ao Brasil é ‘encontrar rapidamente um mecanismo’, porque a Argentina tem escassez de dólares”, disse o ministro das Relações Exteriores argentino, Santiago Cafiero, integrante da delegação que acompanhou o presidente Alberto Fernández na viagem feita ontem a Brasília.

“Precisamos resolver isso para que os insumos industriais do Brasil continuem a vir para o nosso país, para que não paremos a cadeia de produção, porque os níveis de atividade diminuem, e as fábricas começam a fechar”, alertou Cafiero para em entrevista a “Radio 10”.

O ministro argentino afirmou que grande parte da rede de produção industrial de seu país é abastecida por importações do Brasil.

A delegação – que incluiu o ministro da Economia, Sergio Massa – viajou ao Brasil para “gerar um mecanismo de pagamento em reais para que isso possa ser compensado”, disse Cafiero, ponto no qual as equipes econômicas dos dois países continuarão a trabalhar.

Em abril, a Argentina registrou um déficit comercial bilateral com o Brasil de US$ 776 milhões (R$ 3,9 bilhões), em um contexto em que as reservas do Banco Central argentino estão em uma situação delicada, agravada pela seca histórica que está reduzindo suas exportações agrícolas.

Os economistas consultados pelo Banco Central esperam que o PIB da Argentina caia 2,7% este ano.

Encontro com Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Fernández ontem em Brasília para negociar um acordo bilateral para financiar as exportações brasileiras para a Argentina por meio de operações realizadas em moeda local.

Fernández disse em entrevista coletiva que o Brasil pediu à Argentina que fizesse “algumas lições de casa, em relação às garantias fiduciárias”, já que o financiamento seria canalizado para os exportadores brasileiros por meio do BNDES, que solicitou garantias do lado argentino.

Lula insistiu que o Brasil está disposto a “superar quaisquer questões técnicas que possam surgir” em relação às garantias e afirmou que o objetivo final é, na realidade, “ajudar os empresários brasileiros a exportar para a Argentina e a financiar suas exportações, como a China faz com seus produtos”.

De acordo com fontes oficiais argentinas, ainda há trabalho a ser feito entre os dois ministérios da Economia para encontrar um instrumento que permita o comércio com o Brasil em moeda local sem usar o dólar. EFE