Vini Jr. EFE/Arquivo/JuanJo Martín

Real Madrid entrega à Uefa provas de insultos racistas contra Vini Jr.

Madri (EFE).- O Real Madrid confirmou que entregou nesta quinta-feira à Uefa todas as provas disponíveis sobre os incidentes ocorridos na última terça, na partida de ida do playoff da Liga dos Campeões da Europa entre Benfica e o time espanhol, e os supostos insultos racistas proferidos contra o brasileiro Vinícius Júnior pelo argentino Gianluca Prestianni.

“Nosso clube tem colaborado ativamente com a investigação aberta pela Uefa após os inaceitáveis episódios de racismo vividos durante a referida partida”, destacou o clube em um comunicado.

Na mesma nota, a instituição “agradece o respaldo unânime, o apoio e o carinho que tem recebido” o jogador Vinícius Júnior “de todas as esferas do futebol mundial”.

“O Real Madrid continuará trabalhando, em colaboração com todas as instituições, para erradicar o racismo, a violência e o ódio no esporte e na sociedade”, acrescentou a entidade, que reuniu imagens de torcedores fazendo gestos imitando macacos nas arquibancadas do Estádio da Luz, em Lisboa.

A Uefa investiga os fatos e ontem designou um inspetor de ética e disciplina para conduzir o procedimento, após as acusações feitas por jogadores do Real sobre um possível comportamento discriminatório de Prestianni.

Os incidentes começaram pouco depois de Vini Jr. marcar e comemorar o único gol da partida com uma dança, perto da bandeirinha de escanteio, aos quatro minutos do segundo tempo. Posteriormente, o jogador denunciou um insulto racista por parte de Prestianni, que havia coberto a boca com a camisa para lhe dizer algo.

O árbitro francês François Letexier aplicou o protocolo antirracismo e a partida, na qual houve arremesso de objetos da arquibancada para o campo, ficou paralisada por cerca de oito minutos após a ameaça feita por Vinícius e outros jogadores do Real Madrid, como Kylian Mbappé, de abandonar o gramado, em meio à tensão entre os atletas das duas equipes.

A decisão de Letexier seguiu as normas da Uefa, já que nem ele nem nenhum membro da equipe de arbitragem ouviu o suposto insulto. Caso tivesse ouvido, o infrator deveria ter recebido o cartão vermelho direto, de acordo com a regra 12 da International Football Association Board (IFAB).

“O que eu vi é muito claro, o número 25 disse cinco vezes ao Vini que ele é um macaco. Cada um dá a sua opinião, mas nós damos a informação e todos temos que ir na mesma direção. Não se pode aceitar esse tipo de atitude. É maravilhoso jogar a Champions, mas dar esse tipo de imagem é terrível para o futebol mundial”, denunciou Mbappé, que estava ao lado de Vinícius no momento do ocorrido.

Gianluca Prestianni negou posteriormente nas redes sociais ter dirigido “insultos racistas” a Vinícius e denunciou ter recebido ameaças de jogadores do Real Madrid.

“Em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vinícius Júnior, que lamentavelmente interpretou mal o que acha que ouviu. Jamais fui racista com ninguém”, escreveu o argentino.

Por sua vez, o brasileiro afirmou que “os racistas são, antes de tudo, covardes” e “precisam colocar a camisa na boca para demonstrar o quão fracos são”.

“Mas eles têm, ao seu lado, a proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida nem na da minha família. Recebi cartão amarelo por comemorar um gol. Ainda sem entender o porquê disso. Por outro lado, apenas um protocolo mal executado e que não serviu de nada. Não gosto de aparecer em situações como esta, ainda mais depois de uma grande vitória e quando as manchetes deveriam ser sobre o Real Madrid, mas é necessário”, sentenciou o brasileiro.

O Benfica, por sua vez, apoiou o ponta argentino Gianluca Prestianni. O clube denunciou uma “campanha de difamação” contra o jogador e garantiu que “encara com total espírito de colaboração, transparência, abertura e senso de clareza as medidas anunciadas pela Uefa” sobre a investigação dos fatos. EFE