Bruxelas (EFE).- O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comprometeu-se nesta quinta-feira perante os líderes da União Europeia (UE) a restabelecer “totalmente” o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, danificado por ataques da Rússia – condição imposta pela Hungria para apoiar o empréstimo comunitário de 90 bilhões de euros a Kiev.
“O presidente Zelensky acaba de se comprometer a restabelecer totalmente o fornecimento de petróleo o mais rápido possível e a cumprir plenamente o papel da Ucrânia como parceiro energético confiável da UE”, indicaram fontes comunitárias após a conclusão da participação por videoconferência do líder ucraniano no Conselho Europeu, que ocorre hoje em Bruxelas.
Os chefes de Estado e de governo da UE abordaram na cúpula de hoje o apoio à Ucrânia e emitiram uma declaração apoiada apenas por 25 países, sem o respaldo de Hungria e Eslováquia, as nações afetadas pelo corte de abastecimento pelo Druzhba.
No início do debate, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, abordou a questão do comportamento da Hungria em relação ao empréstimo de apoio da UE, decidido por consenso pelos líderes na cúpula de dezembro do ano passado.
Fontes comunitárias indicaram que, assim como fizera em interações anteriores com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, Costa afirmou durante seu discurso perante todos os mandatários que “este tipo de comportamento é inaceitável” e “viola os princípios de boa-fé e de cooperação leal consagrados nos tratados”.
No que diz respeito à situação do oleoduto Druzhba, assinalaram que o seu restabelecimento “depende exclusivamente da capacidade da Ucrânia para repará-lo e da vontade da Rússia de não voltar a destruí-lo”.
Esta semana, tanto Costa quanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informaram que Kiev havia aceitado apoio técnico e até financiamento comunitário para reparar o oleoduto, um gesto visto como um esforço de Bruxelas para deixar Budapeste sem argumentos para dar sinal verde ao empréstimo.
Segundo as fontes comunitárias, os dois líderes da UE estão colaborando com as autoridades ucranianas para lhes prestar assistência.
Costa recordou também em sua intervenção perante os líderes que alguns comentários públicos de Zelensky sobre Orbán haviam sido “inaceitáveis” e geraram uma “escalada que não beneficia ninguém”.
Nas conclusões às quais Hungria e Eslováquia não se somaram, os líderes comunitários celebram a tramitação legislativa superada pelo empréstimo – pendente apenas do aval final de Budapeste – e mantêm a esperança de que “o primeiro desembolso à Ucrânia ocorra no início de abril”.
Além disso, confiaram na “rápida adoção” do 20º pacote de sanções contra a Rússia pela invasão da Ucrânia – que, neste caso, é bloqueado tanto pela Hungria quanto pela Eslováquia – e reiteraram a importância de continuar reduzindo as receitas energéticas russas. EFE