Após falar com Putin, Guterres diz que fim da guerra na Ucrânia está “longe”

Nações Unidas, 14 set (EFE).- A possibilidade de um acordo de paz na Ucrânia continua muito distante, disse nesta quarta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, após uma conversa telefônica com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

“Seria ingênuo pensar que estamos próximos da possibilidade de um acordo de paz”, declarou Guterres em uma entrevista coletiva na qual ressaltou que as Nações Unidas continuarão a buscar esse objetivo, mas que vê as chances como “mínimas” neste momento.

O chefe da ONU discutiu hoje a situação na Ucrânia com Putin e, conforme explicou, os dois falaram sobre as possibilidades de estender o acordo sobre a exportação de grãos através do mar Negro, formas de facilitar a venda de fertilizantes russos e a questão da usina nuclear de Zaporizhzhia.

Eles também debateram a situação dos prisioneiros de guerra e a missão de investigação que as Nações Unidas planejam enviar para analisar o ataque a uma prisão na autoproclamada República Popular de Donetsk no qual 50 prisioneiros ucranianos foram mortos e por cuja autoria Moscou e Kiev se culpam mutuamente.

De acordo com Guterres, a Rússia se comprometeu a não colocar nenhum obstáculo no caminho dos investigadores da ONU e permitirá que eles realizem seu trabalho da maneira que desejarem.

Perguntado sobre as chances de que o recente avanço das tropas ucranianas possa trazer um fim à guerra, Guterres disse que “ainda estamos longe da paz”.

“Eu estaria mentindo se dissesse que estava confiante de que isso acontecerá em breve”, ressaltou.

Guterres lembrou que a guerra na Ucrânia “está devastando um país e atrasando a economia global”, com grandes consequências, especialmente para os países pobres.

O conflito é a principal questão a ser discutida pelos líderes internacionais na próxima semana quando se reunirem em Nova York na Assembleia Geral da ONU.

“O debate geral deste ano deve dar esperança e superar as divisões que estão impactando o mundo de uma forma dramática”, enfatizou Guterres. EFE