Emir do Qatar crê em preconceito a “país árabe e muçulmano” sediando a Copa

Cairo, 14 set (EFE).- O emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, afirmou, em entrevista publicada nesta quarta-feira, que o reino leva à sério às críticas sobre direitos dos operários que trabalharam nas obras da Copa do Mundo, mas garantiu que existe uma rejeição a nação que lidera como sede do torneio.

“Há pessoas que não aceitam que um país árabe e muçulmano como o Qatar receba a Copa do Mundo”, disse o emir ao jornal francês “Le Point”.

Al-Thani se referiu na entrevista às diversas críticas de organizações de defesa dos direitos humanos que denunciaram nos últimos anos vários tipos de abusos contra os operários imigrantes dos estádios utilizados no torneio.

ONGs como a Anistia Internacional ou a Human Rights Watch denunciaram maus tratos por parte de empregadores, além da falta de pagamento de salários ou condições adversas de trabalho, que levaram algumas pessoas à morte, inclusive.

“Na maioria das vezes, vemos isso como um conselho, ou um alerta, e o levamos a sério”, garantiu o emir, que garantiu que o Qatar adotou medidas “em tempo recorde” para colocar fim aos problemas nas obras.

Além disso, lembrou que foi realizada “uma reforma trabalhista para punir quem maltratar um empregado” e que foram abertas “as portas” para ONGs internacionais com as quais cooperam, entre outras coisas.

“Mas depois há outra categoria de críticos, aqueles que seguem, não importa o que façamos. Estas são as pessoas que não aceitam que um país árabe e muçulmano como o Qatar esteja sediando a Copa do Mundo. E eles encontrarão qualquer desculpa para nos criticar”, disse o monarca.

O emir se mostrou satisfeito com que o país seja o primeiro árabe que “organiza um evento global deste tipo”, indicando ser “muito importante para a juventude”, em especial, do Oriente Médio, que é uma região turbulenta e afetada durante décadas por conflitos e crises.

Neste sentido, Al-Thani disse que a Copa do Mundo também representa uma oportunidade para os torcedores que vêm “para aprender sobre as diferenças entre culturas, para descobrir a cultura do Qatar”.

“Esperamos que que queiram voltar”, disse o emir. EFE