Presidente da EFE: caminhamos rumo à transversalidade mantendo a qualidade

Zaragoza (Espanha).- A EFE está se transformando para oferecer novos produtos graças à inovação e à transversalidade, com uma mudança na cultura interna, mas mantendo a qualidade da informação, disse nesta quarta-feira a presidente da agência, Gabriela Cañas, no Congresso Mundial de Jornais, realizado na cidade de Zaragoza, na Espanha.

Em palestra no evento, que reúne até sexta-feira entre 700 e 1.500 líderes de meios de comunicação de mais de 80 países, Cañas disse que a EFE teve que se adaptar às demandas de seus clientes e está colocando seus esforços em formatos multimídia.

O encontro, inaugurado hoje pelo rei da Espanha, Felipe VI, começou com a exibição de um vídeo produzido pela EFE com acontecimentos que marcaram o mundo neste ano, incluindo a morte da rainha Elizabeth II.

O vídeo, que contou com imagens de países dos cinco continentes, também exibiu desastres naturais, grandes eventos políticos, façanhas esportivas, eventos sociais e guerras – em suma, a vida através dos olhos dos 2.000 profissionais da Agência EFE.

EFE aposta em produtos multimídia e multiformato

Cañas explicou que, diante dos desafios atuais, que exigem uma constante evolução das agências de notícias, a EFE assumiu um compromisso “decisivo” com produtos multimídia e multiformato, para os quais as redações e os fluxos de trabalho estão sendo reorganizados, e um trabalho de integração audiovisual tem sido realizado.

Mas, sempre, conforme ela destacou, mantendo a qualidade de um meio de comunicação “intensivo em emprego” e, portanto, “caro”.

O compromisso estratégico da EFE é melhorar a produção audiovisual, segundo Cañas, mas também dar foco a áreas relevantes e com conteúdo “de grande demanda”, como meio ambiente e saúde.

“A transparência, além disso, é uma exigência legal” como empresa pública, e “estamos muito à vontade com isso”, afirmou a presidente da agência espanhola.

O compromisso com a sustentabilidade social também esteve presente em seu discurso, lembrando a aposta da EFE com serviços como o Efeminista e o Efeverifica.

A mudança na forma de trabalhar trazida pela covid-19, a diversidade de profissionais (com jornalistas de 60 nacionalidades) e os critérios de paridade (com 45% de gestoras e 49% de delegadas) são alguns dos dados que também endossam este compromisso.

Diante dos desafios da desinformação, a presidente da EFE destacou que a agência sempre combinou jornalismo de qualidade com agilidade e exaltou o trabalho de verificação de informações que a agência realiza com o Efeverifica.

O Efeverifica (membro da International Fact-Checking Network, uma rede dos principais veículos verificadores de fatos do mundo) é, conforme reconheceu, uma fonte de receita, mas seu objetivo final é trazer “coisas novas” para a sociedade.

É um serviço público do qual a agência se orgulha muito e que é “muito interessante” para desarmar falsidades que são “bombas-relógio contra a democracia”, argumentou.

A EFE está agora trabalhando para levar este serviço aos Estados Unidos e assinar acordos com universidades para ensinar como combater notícias falsas.

Cañas também antecipou parte da estratégia de expansão da Agência, com a criação da marca EfeComunica e a renovação do portfólio de produtos para empresas e instituições, distribuídos através de outros canais que não os de notícias.

Com a nova marca, a EFE promoveu a oferta de eventos patrocinados, projetos de parceria público-privada e podcasts como a série “Tabu mental”, uma produção para a Amazon Music.

Cañas também enfatizou que, embora os formatos possam mudar, na EFE o jornalismo é “a base de tudo”. EFE