Brasil perde nos pênaltis para a Croácia e se despede da Copa do Mundo

Doha (EFE).- A seleção brasileira voltou a cair de uma Copa do Mundo diante de um adversário europeu, ao perder nesta sexta-feira nos pênaltis para a Croácia por 4 a 2, após empate em 1 a 1 ao longo de 120 minutos de bola rolando.

O grande carrasco dos pentacampeões mundiais na partida foi o goleiro Dominik Livakovic, que defendeu cobrança de Rodrygo, depois de ter feito ótima atuação no tempo normal e na prorrogação da partida realizada no estádio Cidade da Educação.

Com bola rolando, Neymar balançou a rede para os brasileiros, e chegou a 77 gols com a camisa da seleção, se igualando a Pelé, como maior goleador dos pentacampeões, de acordo com as contas da Fifa, que só leva em conta jogos oficiais.

O atacante Bruno Petkovic contou com a sorte, ao finalizar na área, contar com desvio da bola em Marquinhos e deixar o placar igual no segundo tempo da prorrogação, o que levou a decisão para os pênaltis.

O zagueiro ainda perdeu a última penalidade da disputa em Doha, ao acertar a trave. Casemiro e Pedro marcaram para os pentacampeões. Os croatas converteram todas as cobranças, com Vlasic, Majer, Modric e Orsic.

Esta é a quinta Copa do Mundo consecutiva que o Brasil é eliminado por uma seleção europeia. Em 2006, o algoz foi a França, em 2010, a Holanda, e em 2014, a Alemanha.

A Croácia, por sua vez, levou a melhor pela segunda vez nos pênaltis nessa Copa, depois de passar pelo Japão. Quatro anos atrás, na Rússia, foi necessário passar duas vezes pelas penalidades.

Desde 2008, os croatas disputaram oito jogos de eliminação direta em Mundiais e Eurocopas e em sete deles tiveram que disputar, ao menos, a prorrogação. A exceção foi a final da competição em 2018, na derrota para a França.

A algoz do Brasil voltará a campo na próxima terça-feira, às 16h (de Brasília), no estádio Lusail, na cidade homônima, em duelo com o vencedor do jogo entre Argentina e Holanda, que se enfrentarão ainda hoje.

Escalação repetida

Nesta sexta-feira, o técnico Tite repetiu a escalação inicial utilizada na vitória sobre a Coreia do Sul por 4 a 1, nas oitavas de final, com Danilo seguindo na lateral-esquerda, já que Alex Sandro e Alex Telles não tinham condições de começar jogando – o primeiro ficou no banco e entrou no tempo-extra.

Na Croácia, Sosa reapareceu na lateral-esquerda, após se recuperar de virose que o tirou da partida contra o Japão. Além disso, Pasalic foi escalado na vaga de Petkovic, com isso, Kramaric foi deslocado para o comando do setor ofensivo.

Jogo tenso

Como sempre é esperado em um duelo de reta final de Copa do Mundo, brasileiros e croatas mostraram tensão nos minutos iniciais. Os pentacampeões não conseguiram imprimir o ritmo alucinante do começo da partida com os sul-coreanos, diante da forte marcação do adversário.

Aos 13, a Croácia chegou a assustar, em defesa rápida pela direita, em Juranovic cruzou para a área, em bola que cruzou bem na frente da meta de Alisson. Perisic tentou chegar para finalizar, mas marcado por Marquinhos, não conseguiu bater com firmeza.

No segundo tempo, os primeiros minutos tiveram mais emoção do que toda a etapa inicial. 

Aos 2, Vinicius Júnior recebeu na esquerda e serviu Neymar, que tentou finalizar, mas acabou travado por defensor adversário. A bola desviada acabou indo em direção ao gol, e Livakovic teve que se virar para fazer a defesa.

Aos 10, o Brasil teve uma nova oportunidade, quando Neymar recebeu passe na medida de Richarlison e tocou na saída de Livakovic, que conseguiu fazer boa defesa e manter o placar da partida em branco.

Ao longo do segundo tempo, o goleiro croata começou a se agigantar na partida, Aos 21, após mais uma boa subida dos pentacampeões, Neymar achou Paquetá, que ganhou da marcação, saiu na frente do gol e bateu para outra intervenção de Livakovic.

Aos 31, a seleção chegou de novo em alta velocidade, mas parou mais vez no camisa 1 do adversário. Dessa vez, Neymar recebeu na área de Richarlison e tocou de leve para tentar superar Livakovic, que fechou bem o ângulo e jogou para escanteio.

O domínio verde e amarelo, aos poucos, virou blitz, mas que seguia parando na muralha croata. Aos 31, em jogada que o ataque brasileiro – já com Antony e Rodrygo em campo – fez trama de pé em pé, Paquetá bateu da entrada da área, mas o goleiro pegou.

 Instalada no campo de defesa do adversário, a seleção levou perigo até com jogadores que não eram do ataque. Aos 40, Militão pegou uma sobra de próprio chute e soltou uma bomba, que passou à esquerda da meta defendida por Livakovic.

Prorrogação após 8 anos

O empate no tempo normal, se é algo comum para a Croácia, obrigou o Brasil a disputar a primeira prorrogação em Copas desde 2014, quando a partida com o Chile foi definida apenas nas disputas de pênaltis.

Na história do torneio, a seleção participou de sete tempos-extras, incluindo a final do Mundial de 1994, também em que a igualdade persistiu, com a vitória – e o tetra – vindo nas penalidades.

Hoje, no estádio Cidade da Educação, a prorrogação teve como tônica o Brasil se mantendo no ataque contra uma acuada Croácia. Os 15 primeiros minutos, quase integralmente, tiveram os pentacampeões tentando furar a defesa adversária, sem grande sucesso.

A exceção ocorreu aos 13 da etapa inicial, quando Petkovic fez linda jogada, se livrando de dois marcadores e rolou para Brozovic, que acabou finalizando muito mal, por cima do gol defendido por Alisson.

Em grande estilo, enfim, Livakovic foi superado, já nos acréscimos do primeiro tempo da prorrogação, quando Neymar chamou Rodrygo para tabelar, depois trocou passes com Paquetá, driblou o goleiro croata e tocou para o fundo da rede.

No segundo tempo da prorrogação, os pentacampeões começaram dominantes, mas não mostraram ímpeto para ampliar a vantagem. O castigo veio aos 12 minutos, em contra-ataque rápido da Croácia, em que Orsic cruzou bola na área e achou Petkovic, que bateu e contou com desvio em Marquinhos para vencer Alisson e empatar.

O Brasil ainda teve uma ótima oportunidade para vencer a partida com bola rolando aos 16 da etapa final, quando Casemiro pegou sobra de bola e bateu firme, obrigando Livakovic a fazer mais uma ótima defesa.

Decisão nos pênaltis

Nos pênaltis, o destino brasileiro começou a ser determinado logo na primeira cobrança, de Rodrygo, que pagou em Livakovic e não conseguiu empatar o placar aberto por Vlasic para os croatas.

Depois, Majer, Casemiro, Modric, Pedro e Orsic acertaram as cobranças seguinte, até que Marquinhos foi para a bola e acertou a trave, encerrando a disputa com derrota dos pentacampeões por 4 a 2.  

Ficha técnica

Croácia: Livakovic; Juranovic, Lovren, Gvardiol e Sosa (Budimir); Kovacic (Majer), Modric e Brozovic (Orsic); Pasalic (Vlasic), Perisic e Kramaric (Petkovic). Técnico: Zlatko Dalic

Brasil: Alisson; Éder Militão (Alex Sandro), Marquinhos, Thiago Silva e Danilo; Casemiro, Lucas Paquetá (Fred) e Neymar; Raphinha (Antony), Vinicius Júnior (Rodrygo) e Richarlison (Pedro). Técnico: Tite

Árbitro: Michael Oliver (ING), auxiliado por Stuart Burt (ING) e Gary Beswick (ING)

Gols: Petkovic (Croácia); Neymar (Brasil). Nos pênaltis: Vlasic, Majer, Modric e Orsic  (Croácia); Casemiro e Pedro(Brasil)

Cartões amarelos: Brozovic e Petkovic (Croácia); Danilo, Casemiro e Marquinhos (Brasil)

Estádio: Cidade da Educação, em Doha (Qatar). EFE