Rússia quer fechar fronteira para evitar saída de homens

Moscou (EFE).- O governo da Rússia planeja fechar a fronteira para os homens em idade de mobilização, depois que dezenas de milhares de pessoas deixaram o país, desde que o presidente, Vladimir Putin, decretou estado de mobilização parcial, conforme publica nesta segunda-feira a imprensa local.

A proibição entraria em vigor após os referendos de integração com a Rússia, que acontecem nos territórios da Ucrânia ocupados parcialmente pelas tropas russas, de Donetsk, Lugansk, Kharkiv e Zaporizhzhia, segundo veiculou o site russo “Meduza”.

Atualmente, apenas homens que recebem autorização por escrito dos centros de recrutamento militar podem deixar o território nacional.

Por causa disso, segundo o site “The Bell”, os guardas fronteiriços do Serviço Federal de Segurança (FSB) nos aeroportos receberam listas de russos que devem ser mobilizados.

Cidadãos russos tentam escapar do país

Cerca de 261 mil russos teriam cruzado a fronteira entre quarta-feira e sábado, conforme veiculou o site “Novaya Gazeta Europa”, que cita fontes do FSB.

Já nos círculos da presidência russa, há dúvidas sobre a quantidade, embora haja admissão que a tendência é preocupante e que os militares poderiam convencer Putin da necessidade de medidas urgentes para conter esse êxodo.

Segundo o advogado de direitos humanos Pavel Chikov, a guarda fronteiriça do FSB já impediu a saída da Rússia de pessoas que tentavam ir para o Cazaquistão.

O jornal “RBC” informou hoje que o Serviço Federal de Segurança decidiu deslocar blindados para a passagem fronteiriça entre a Ossétia do Norte e a Geórgia, para evitar incidentes.

Na região, são formadas há dias filas quilométricas, assim como nas fronteiras com Finlândia, Cazaquistão e Mongólia.

População russa protesta contra a medida

Enquanto isso, continuaram os ataques contra centros de alistamentos na Rússia. O último aconteceu hoje na região de Irkutsk, na Sibéria.

No local, um jovem disparou a queima-roupa contra um comissário militar, que ficou gravemente ferido.

Segundo o site “Meduza”, cerca de 20 centros de alistamento foram atacados, muitos deles, com coquetéis molotov, desde o início da chamada “operação militar especial” convocada por Putin na Ucrânia, sendo mais da metade nos últimos dias.

Também houve ataques contra sedes de órgãos públicos e do partido do presidente, o Rússia Unida. EFE

Russos protestam no dia 21 de setembro contra o estado de mobilização parcial decretado por Putin. EFE/Anatoly Maltsev