A escritora francesa Annie Ernaux durante uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, em Paris. EFE/CHRISTOPHE PETIT TESSON

Annie Ernaux diz que Nobel de Literatura é «uma responsabilidade»

Paris (EFE).- A escritora francesa Annie Ernaux disse nesta quinta-feira que o prêmio Nobel de Literatura «representa algo imenso», considerando suas origens, e o considerou «uma responsabilidade».

Depois de receber a notícia de que tinha ganhado o Nobel, Ernaux disse que pensa «nas pessoas sombrias, na minha família».

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«Escrevi para aqueles que lutaram muito», disse a autora em entrevista coletiva em Paris.

Nascida em uma família humilde da classe trabalhadora, Ernaux considera a escrita o ato político mais importante e fez da sua obra um compromisso para defender os direitos dos desfavorecidos e das mulheres.

«O meu trabalho é político, mesmo que eu não participe em movimentos sociais ou políticos», explicou Ernaux. A «responsabilidade» à qual se refere depois de receber o Nobel «é continuar a luta contra todas as injustiças, sejam elas quais forem».

Annie Ernaux destaca seu compromisso com as mulheres

A escritora, de 82 anos, também enfatizou o seu compromisso com as mulheres: «Para mim, uma mulher livre e com poder, sempre houve domínio masculino. Muitas mulheres me leem, e mulheres jovens», reconheceu.

Ela sublinhou que o seu livro «L’Événement» (2000), que narra autobiograficamente a sua luta para fazer um aborto quando era jovem, ganhou nova relevância com o «revés» ao direito de interromper uma gravidez em alguns países.

«Não imaginava que 22 anos mais tarde o direito ao aborto estivesse em questão», confessou Ernaux.

«As mulheres devem ter o direito de escolher se querem ser mães, é a principal liberdade das mulheres», argumentou, lamentando que isto esteja cada vez mais em questão nas Américas.

A escritora reconheceu também que está «muito preocupada» com a ascensão da extrema direita em alguns países.

Ernaux explicou que descobriu que tinha recebido o prêmio Nobel enquanto «estava na cozinha, ouvindo rádio». EFE