O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. EFE/Arquivo/JIM LO SCALZO

EUA acusam Rússia de descumprir último pacto nuclear entre os dois países

Washington (EFE).- Os Estados Unidos acusaram a Rússia nesta terça-feira de descumprir o Novo START, o último tratado nuclear entre as duas potências, ao não permitir que técnicos americanos realizem inspeções em território russo.

O governo do presidente dos EUA, Joe Biden, fez essa acusação contra a Rússia em um relatório que o Departamento de Estado enviou ao Congresso para informar sobre a situação do Novo START, assinado em 2010 e prorrogado em 2021 por mais cinco anos.

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Washington tentou sem sucesso negociar com Moscou para retomar as inspeções de armas nucleares no terreno, que estavam suspensas desde 2020, primeiro devido à pandemia e depois devido às restrições de viagens entre Rússia e EUA após a invasão russa da Ucrânia.

Tendo falhado em fazer progressos, o governo Biden decidiu acusar formalmente a Rússia de descumprir o tratado.

De acordo com o Departamento de Estado, a recusa de Moscou «ameaça» a capacidade de Washington de exercer alguns de seus direitos de controle de armas do Novo START e, especialmente, «ameaça a viabilidade do sistema de controle de armamentos entre EUA e Rússia».

Além das inspeções, os Estados Unidos garantem que a Rússia não cumpriu outra das obrigações contidas no Novo START: a realização de uma comissão bilateral sobre o tratado.

Moscou argumentou que não existem condições para a realização de reuniões desta comissão bilateral e culpa a retórica e as ações dos EUA – o maior fornecedor de armas para a Ucrânia -, a quem também acusa de provocar Moscou constantemente.

Justamente hoje, os Estados Unidos e a Rússia retomaram os contatos sobre controle de armamentos com reuniões em Moscou.

Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, o Novo START limita para 1.550 o número de ogivas nucleares de longo alcance que cada país pode ter implementadas.

O tratado também restringe o número de veículos e sistemas de lançamento que Washington e Moscou podem ter implementados ou na reserva, mas sua pedra angular é o regime de verificação que estabelece para garantir que esses limites sejam atendidos.

Especificamente, tanto os Estados Unidos quanto a Rússia podem realizar até 18 inspeções por ano dos arsenais nucleares um do outro, com pouco tempo para o país receptor se preparar: os técnicos avisam com 32 horas de antecedência e depois escolhem o local que desejam examinar, o que deve ser respeitado pelas autoridades receptoras. EFE