El líder del partido conservador finlandés Kokoomus, Petteri Orpo en Helsinki,  tras su victoria en la elecciones del pasado 2 de abril.
Petteri Orpo. EFE/Arquivo/MIKKO STIG

Premiê finlandês afirma que Rússia se prepara para «longo conflito com Ocidente»

Estrasburgo (EFE).- O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, disse nesta quarta-feira que «evidentemente» a Rússia está se preparando para um «longo conflito com o Ocidente» e advertiu que, se a Europa não responder «o suficiente» ao desafio de Moscou, os próximos anos serão «cheios de perigos e a ameaça iminente de ataque».

«A Rússia continua a cometer crimes de guerra na Ucrânia. Ela passou para uma economia de guerra. A Rússia está claramente se preparando para um longo conflito com o Ocidente e representa uma ameaça militar permanente e existencial para a Europa», analisou o político finlandês durante um debate no plenário do Parlamento Europeu.

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Orpo acrescentou que se, como uma Europa unida, a União Europeia não responder «o suficiente a esse desafio, os próximos anos serão cheios de perigos e a ameaça iminente de ataque».

«Devemos fortalecer nosso apoio à Ucrânia agora para vencer esta guerra e, ao mesmo tempo, melhorar nossas próprias capacidades de defesa e a capacidade de nos defendermos», opinou.

Ele também considerou «essencial» que a UE ofereça «um caminho europeu confiável» para a Ucrânia, acrescentando que a ampliação da UE é «uma necessidade geopolítica e uma questão de segurança».

«Apoiar a Ucrânia não é apenas um imperativo moral, mas também uma necessidade estratégica. O custo do sucesso militar russo excederia em muito o investimento necessário para apoiar a Ucrânia. Imagine o que acontecerá em seguida se a Rússia for bem-sucedida», alertou.

O governante enfatizou que cada euro investido na Ucrânia hoje é «um pequeno preço a ser pago em comparação com os custos alternativos se a Rússia vencer».

Além disso, ressaltou que a Finlândia aumentou sua produção de munição e pediu a todos os países membros da UE que «façam o mesmo», em um contexto marcado pela necessidade de Kiev de lidar com a invasão russa.

«É crucial reconhecer que as capacidades militares da Rússia são limitadas, apesar de suas tentativas de esconder esse fato. A Rússia não é invencível. Podemos superar esse desafio se reunirmos nossos recursos. Temos os recursos financeiros, agora precisamos demonstrar nosso compromisso político», argumentou.

Complementando o raciocínio, o premiê disse que «mais Europa não significa e não deve significar menos Estados Unidos».

«Os Estados Unidos são e serão nosso aliado mais importante, e precisamos fortalecer nossos laços transatlânticos tanto na defesa quanto no comércio», explicou.

Depois do que aconteceu com a Rússia, Orpo disse considerar que «nunca mais» se deve «depender tanto de outros para energia e segurança», e ressaltou que a UE «deve cuidar de sua própria defesa».

Ele também pediu o fim do relaxamento das regras europeias de auxílio estatal após a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia.

Em relação aos pactos de livre-comércio, ele disse que, se a UE quiser ser «globalmente relevante», precisa de «uma melhor capacidade de concluir, ratificar e implementar acordos comerciais» e «não uma melhor capacidade de derrubá-los».

Quando à política ambiental, afirmou que os objetivos não podem ser alcançados apenas com mais regulamentação.

«Precisamos de incentivos, não de paus e burocracia», opinou.

Grupos de esquerda no Parlamento Europeu criticaram Orpo por suas políticas domésticas em áreas como emprego e greves, assim como por governar com a extrema direita, enquanto a direita e a ultradireita elogiaram o político.

O primeiro-ministro finlandês disse que não há partidos de extrema direita em seu governo. Entretanto, vários ministros pertencem ao partido de extrema direita Verdadeiros Finlandeses. EFE