Moscou (EFE).- O Kremlin rejeitou nesta terça-feira a proposta do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de uma suspensão dos ataques contra a infraestrutura crítica da Rússia e da Ucrânia, ressaltando que Moscou defende um fim definitivo do conflito e não um cessar-fogo “inútil”.
“O presidente (da Rússia, Vladimir) Putin e a parte russa sempre afirmaram que defendemos uma paz sólida, uma paz definitiva, e não um cessar-fogo que, em essência, não trará nada”, afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, em entrevista coletiva telefônica diária.
Zelensky afirmou, após chegar aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas e se reunir lá com pelo menos 20 de seus aliados, que buscaria mais apoio para suas propostas de cessar-fogo, ao que Peskov observou que essas propostas se contradizem diariamente.
“Literalmente, há alguns dias, o senhor Zelensky disse que precisava de mais 40 dias para prejudicar a economia russa. Dia após dia, suas declarações sobre continuar ou interromper a guerra não se coadunam entre si”, indicou.
Peskov declarou que as recentes declarações do presidente ucraniano se devem ao fato de que “a situação na Ucrânia, como já dissemos, piora a cada dia, tanto a situação econômica quanto a situação na linha de frente”.
“E assim continuará”, disse o porta-voz, ao acrescentar que “em Kiev sabem perfeitamente qual responsabilidade devem assumir e quais decisões devem tomar para que sigamos o caminho que nos leve não a um cessar-fogo, mas a uma paz estável”.
Zelensky vem oferecendo há meses uma trégua total ou um cessar-fogo parcial que implique a interrupção dos ataques a infraestruturas energéticas ou civis em geral. O Kremlin rejeitou até agora essas ofertas, que contam com o apoio dos EUA e dos parceiros europeus de Kiev.
«É claro que a prioridade número um da Ucrânia é avançar em direção à paz e proteger a vida do nosso povo. Há propostas concretas de segurança e medidas de distensão que podem aproximar o fim da guerra», escreveu ele na rede social X (ex-Twitter) ao chegar a Nova York.
O presidente ucraniano também explicou que, entre as prioridades da viagem, estão o fortalecimento das defesas antiaéreas ucranianas — que, neste momento, são muito vulneráveis aos mísseis balísticos russos — e a obtenção de mais recursos para cobrir o rombo financeiro nos cofres do país.
Está previsto que Zelensky se reúna nesta terça-feira com Trump, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com os líderes do Reino Unido, do Japão e da Dinamarca. Além disso, o presidente da Ucrânia discursará na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira. EFE







