Assunção (EFE).- O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse nesta terça-feira que está “muito preocupado” com o aumento da tensão entre Estados Unidos e Venezuela, e defendeu uma solução pacífica para evitar uma incursão militar no país.
“Estou muito preocupado e transmiti ao governo americano nossa preocupação com uma incursão militar”, disse Peña, em resposta a uma pergunta sobre a situação na Venezuela, durante entrevista coletiva na Casa Presidencial, em Assunção.
“Eu gostaria que isso não acontecesse”, acrescentou Peña, cujo governo não reconhece o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que rompeu as relações diplomáticas entre os dois países em janeiro.
Desde agosto, os EUA mantêm uma presença aeronaval no mar do Caribe, perto das águas venezuelanas, que, segundo afirmam, tem como objetivo combater o narcotráfico, mas que Caracas interpreta como “ameaças” e uma tentativa de promover uma mudança de regime.
Peña afirmou que o governo de Donald Trump acusa Maduro de liderar o Cartel dos Sóis, uma organização que os EUA declararam recentemente como terrorista e à qual o republicano responsabiliza por “inundar” as ruas do país com drogas, uma acusação que Caracas rejeita, ao afirmar que tal grupo não existe.
O Paraguai declarou em agosto o Cartel dos Sóis como uma “organização terrorista internacional”.
As tensões aumentaram nas últimas semanas depois que Trump ordenou o bloqueio de navios petroleiros sancionados que se deslocam de e para a Venezuela e o recente anúncio do mandatário americano de um ataque a um cais dentro do território venezuelano supostamente usado para o tráfico de drogas.
Sem se referir especificamente a isso, Peña afirmou que os EUA estão “revivendo a antiga Doutrina Monroe”, que ele classificou como uma política que designa o hemisfério ocidental como a “zona de influência” do país e na qual, segundo ele, “deixou muito claro” que “seu principal rival é a China”.
“Então, acredito que, nessa lógica, eles estão implementando sua estratégia”, afirmou Peña, em referência ao documento divulgado pelo governo Trump, intitulado “Estratégia Nacional de Segurança”.
“Adoraríamos que fosse possível encontrar uma solução pacífica para este conflito, mas se não houver uma solução pacífica, não tenho dúvidas de que uma incursão militar será o que vai acontecer”, acrescentou Peña, em sua análise sobre a situação com a Venezuela. EFE







