Dmitry Peskov. EFE/Arquivo/RAMIL SITDIKOV/REUTERS POOL

Kremlin adverte para «escalada sem precedentes» em torno do Irã

Moscou (EFE).- O Kremlin advertiu nesta quinta-feira para uma «escalada de tensões sem precedentes» em torno do Irã, ao mesmo tempo em que convocou todas as partes a recorrerem exclusivamente aos meios políticos para resolver suas discrepâncias.

«Agora, efetivamente, vemos uma escalada de tensão sem precedentes na região», disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, em sua entrevista coletiva telefônica diária, na qual também pediu aos países do Oriente Médio que «adotem os meios político-diplomáticos como prioridade absoluta ao resolver um ou outro problema».

«A Rússia continua desenvolvendo suas relações com o Irã. Ao fazer isso, pedimos moderação aos nossos amigos iranianos e a todas as partes na região», destacou.

Além disso, Peskov ressaltou que as manobras militares que iranianos, russos e chineses realizarão a partir de hoje no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico «haviam sido planejadas» anteriormente.

O objetivo declarado dos exercícios é reforçar a segurança e a coordenação para enfrentar as ameaças à segurança marítima, após a apreensão de vários petroleiros por parte de países ocidentais.

Segundo informaram a emissora “CNN” e o jornal “The New York Times”, o Exército dos Estados Unidos está preparado para atacar o Irã ainda este fim de semana, embora o presidente Donald Trump ainda não tenha tomado uma decisão definitiva a respeito.

A Casa Branca foi informada de que as forças militares poderiam estar prontas para um ataque após um aumento significativo de ativos aéreos e navais no Oriente Médio nos últimos dias.

Israel também está se preparando para um possível ataque conjunto com os Estados Unidos, de acordo com o “The New York Times”, que cita duas fontes da Defesa israelense.

O porta-aviões U.S.S. Gerald R. Ford, que fez parte da frota do Caribe durante a operação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, aproximava-se nesta quarta-feira do Estreito de Gibraltar para se juntar ao U.S.S. Abraham Lincoln, já estacionado em águas do Oriente Médio.

O Kremlin lembrou na quarta-feira que está aberto à proposta de receber o urânio enriquecido iraniano, opção abordada durante as recentes conversas para um acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã em Genebra.

Nesta mesma quarta-feira, o ministro da Energia russo, Serguei Tsivilev, declarou à imprensa que Moscou continua a construção da segunda e terceira unidades de potência da central nuclear de Bushehr, no Irã, e também considera a construção de unidades de alta e baixa potência no território de tal país.

Em setembro de 2025, Moscou e Teerã assinaram um acordo no valor de US$ 25 bilhões para a construção da central nuclear de Hormoz, que consistirá em quatro unidades de energia com uma capacidade de 50.000 MW. EFE