Bruxelas (EFE) – O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, deixou claro nesta quarta-feira a qualquer «adversário em potencial», como Rússia ou Belarus, que defenderá «cada centímetro» de seu território após o envio de homens do grupo mercenário Wagner a este último país.
«É muito cedo para tirar conclusões definitivas sobre o motim dos mercenários do Wagner no último fim de semana, que é visto na Aliança como um assunto interno da Rússia», disse Stoltenberg em entrevista coletiva, após se reunir com a primeira-ministra da Estônia, Kaja Kallas.
Stoltenberg enfatizou que a Otan está acompanhando a situação «muito de perto» e que «algumas dessas forças podem ser posicionadas em Belarus», razão pela qual aliados como a Lituânia, que faz fronteira com Belarus, pediram reforço.
«O mais importante é que estamos enviando uma mensagem muito clara a qualquer adversário em potencial, incluindo Moscou e Minsk, de que estamos lá para proteger e defender cada centímetro do território aliado contra qualquer ameaça», enfatizou.
O político norueguês lembrou que a Otan aumentou sua presença no Leste Europeu e que, na cúpula aliada em Vilnius, daqui a duas semanas, continuará a fortalecer sua dissuasão e defesa.
Stoltenberg voltou a afirmar que a «guerra ilegal do presidente russo, Vladimir Putin, na Ucrânia é um grande erro estratégico, que aprofundou as divisões existentes e criou novas tensões na Rússia».
De qualquer forma, pediu para «não subestimar a Rússia, continuar a apoiar a Ucrânia e manter as defesas aliadas fortes».
Stoltenberg lembrou ainda que «a principal tarefa da Otan não é libertar territórios, mas impedir qualquer ataque a qualquer aliado da Aliança».
Nesse sentido, explicou que a Aliança já tem planos e capacidades para «defender cada aliado e cada centímetro do território aliado», observando que, “forças específicas serão designadas para territórios específicos”.
«Estamos constantemente avaliando a necessidade da presença de tropas terrestres em toda a Aliança, inclusive na região do Báltico», disse.
Stoltenberg também informou que, na cúpula de Vilnius, os aliados darão «um passo adiante» em seu apoio à Ucrânia, concordando com um pacote de assistência plurianual para tornar as forças militares do país cada vez mais interoperáveis com as da Aliança e melhorar os laços políticos para «aproximar a Ucrânia de seu lugar de direito na organização».
Por outro lado, não se espera ainda que os líderes convidem formalmente Kiev a ingressar na organização.
Stoltenberg disse que as consultas continuam e espera que em Vilnius se encontre “um terreno comum sobre como lidar com as aspirações de adesão da Ucrânia».
«E temos que lembrar que os aliados concordam com muitas mensagens e posições importantes sobre a Ucrânia e a adesão à Otan», acrescentou.
«Talvez a coisa mais importante com a qual concordamos é que a tarefa mais urgente agora é garantir que a Ucrânia prevaleça como uma nação soberana e independente na Europa», explicou, já que, se a Rússia vencer a guerra, «não haverá mais necessidade de discutir a questão da adesão».
“O fato de a Ucrânia vencer a guerra é pré-condição para qualquer discussão significativa sobre uma nova adesão», concluiu. EFE







