Oviedo (EFE).- A astronauta americana Christina Koch, uma das tripulantes da missão Artemis II da Nasa, que em abril fez história ao orbitar a Lua, pondo fim a mais de meio século sem presença humana no satélite natural, foi premiada nesta quarta-feira com o Prêmio Princesa de Astúrias da Concórdia 2026.
Christina, de 47 anos, é engenheira elétrica e física e se tornou a primeira mulher a chegar à órbita do satélite. Além disso, é a que permaneceu mais tempo de forma contínua no espaço, ao longo de 328 dias entre 2019 e 2020.
A astronauta também protagonizou em 2019, ao lado de Jessica Meir, a primeira caminhada espacial realizada integralmente por mulheres.
Koch fez parte, junto com os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Jeremy Hansen, da missão Artemis II, que concluiu com sucesso no último dia 10 de abril a sua missão de levar novamente o ser humano à órbita lunar, algo que não acontecia desde 1972.
A tripulação superou o recorde de distância alcançada no espaço pela missão Apollo 13 em 1970 e estabeleceu, com a nave Orion, uma nova marca ao se afastar 406.771 quilômetros da Terra.
SEMPRE QUIS SER ASTRONAUTA
Antes de ingressar na Nasa, Koch trabalhou no desenvolvimento de instrumentos científicos no Centro Goddard e passou mais de três anos em estações antárticas de pesquisa, com um inverno completo no Polo Sul, realizando tarefas nas equipes de busca, resgate e combate a incêndios.
Sua carreira espacial começou em 2013 e, em 2019, viajou à Estação Espacial Internacional (Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional em 2001), onde atuou como engenheira de voo em várias expedições e contribuiu em inúmeros experimentos, incluindo testes de bioimpressoras 3D em microgravidade.
Em outubro de 2019, realizou, ao lado de Jessica Meir, a primeira caminhada espacial inteiramente feminina da história, um marco que se repetiu em outras duas ocasiões durante a mesma missão.
Em fevereiro de 2020, retornou à Terra após 328 dias consecutivos no espaço, recorde de voo espacial de maior duração para uma mulher, superando os 289 dias de Peggy Whitson e acumulando seis caminhadas com 42 horas e 15 minutos fora da nave.
MISSÃO ARTEMIS II
No último dia 1º de abril, Koch decolou a bordo do foguete Space Launch System, na missão Artemis II, ao lado dos americanos Reid Wiseman e Victor Glover, e do canadense Jeremy Hansen, uma tripulação que estabeleceu o recorde de maior distância percorrida por humanos no espaço.
Ao contornar a Lua, Koch se tornou também a primeira mulher da história a se afastar do nosso planeta o suficiente para sair do seu campo magnético e alcançar o espaço profundo, superando assim uma fronteira que nenhuma mulher havia cruzado antes.
A missão foi concluída dez dias depois e, segundo os especialistas, os dados médicos coletados sobre Koch serão determinantes para planejar futuras missões tripuladas a Marte.
Na primeira entrevista coletiva realizada após o pouso, os astronautas transmitiram uma mensagem de esperança, união e concórdia: «Planet Earth, you are a crew» («Planeta Terra, vocês são uma tripulação»), declarou Koch, ressaltando o paralelismo entre a humanidade e a tripulação de uma nave, que não é apenas um grupo de pessoas que viajam juntas, mas um vínculo de responsabilidade mútua e interdependência total em busca do bem comum.
Doutora honoris causa pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, entre seus reconhecimentos estão a Medalha de Serviço Antártico do Congresso dos Estados Unidos, o Prêmio de Conquista em Grupo da Nasa em duas ocasiões e o Prêmio Neil Armstrong de Excelência da Fundação de Bolsas de Estudo para Astronautas. EFE






