Miami (EFE).- A necessidade de se investir mais em sustentabilidade e fortalecer a resiliência econômica da América Latina e do Caribe dominou o encerramento do FinnLAC 2025, fórum no qual, durante dois dias, foram realizados debates e criadas sinergias para impulsionar o desenvolvimento do mercado de fintechs e, de forma geral, ampliar a acessibilidade financeira na região.
“Tomemos como exemplo o Caribe, que sofre os efeitos de inúmeros furacões e fenômenos climáticos. O importante é aprendermos a prevenir e também a planejar, para que, quando um desses choques chegar, tenhamos tudo um pouco mais sob controle”, explicou à EFE Marisela Alvarenga, diretora-gerente e chefe da divisão do setor financeiro do BID Invest, o braço de investimento privado do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A ideia de “resiliência” em uma região como essa, afirma Alvarenga, deve permear desde a forma como se constrói uma casa — preparada para suportar inundações — até o planejamento de uma cidade inteira, cujo desenho de infraestrutura deve estar preparado para ventanias e enchentes.
“Para nós isso é fundamental. É fundamental considerar a questão da adaptação. E é fundamental considerar a questão do acesso, da qual falamos aqui (no FinnLAC 2025). Falar de acesso, de financiamento”, ressaltou Alvarenga sobre o fórum organizado pelo Grupo BID nos dias 4 e 5 de novembro no Hotel InterContinental Downtown Miami.
Impulsionar a contratação de seguros
A sessão de encerramento do FinnLAC dedicou um de seus simpósios a um elemento-chave para a resiliência e o planejamento econômico: a necessidade de aumentar a contratação de seguros na América Latina e no Caribe, algo que já está sendo alcançado por iniciativas como a mexicana Mi Compa, que amplia o acesso por meio de canais digitais.
Álvaro Madrigal, cofundador e CEO da Mi Compa — que comercializa seguros de automóveis e motocicletas — contou no painel que o México é um país “onde não existe cultura de seguros, mas em que se percebe, ao andar pelas ruas, que as pessoas querem ter seguro”.
Para superar as três barreiras enfrentadas pela população mexicana de baixa renda — “não entendem a apólice, não têm dinheiro para pagar e ninguém quer vender para eles”, segundo Madrigal — a Mi Compa apostou em uma comunicação simples e coloquial, com nomes de planos como “El medio cachete” (intermediário) e “El perrón” (muito bom).
A empresa vende todos os produtos por redes sociais e aplicativos de mensagens, de WhatsApp a TikTok, e conseguiu reduzir o preço das apólices em até 70%, com o apoio de diversas seguradoras.
Sustentabilidade e economia azul
No campo da sustentabilidade, o FinnLAC dedicou sua última sessão a projetos de economia azul — voltados à gestão adequada e conservação dos recursos hídricos na região — com a ideia de que “a sustentabilidade é uma forma de fazer negócios; já não é algo adicional”, como destacou Alvarenga.
Entraram em pauta iniciativas como o bono azul do Banco Bolivariano do Equador, uma emissão de cerca de US$ 80 milhões para financiar projetos de economia azul em um país onde cerca de 300 mil pessoas dependem direta ou indiretamente da pesca do camarão, sua principal exportação.
Também foi mencionado o bono azul emitido pelo BBVA e pela Corporação Financeira Internacional (IFC), com um primeiro lote de US$ 50 milhões, na Colômbia — um dos países com maior diversidade marinha do mundo — além das iniciativas de crédito do Banco Agrícola de El Salvador, um país com altas taxas de desmatamento e grande vulnerabilidade no acesso aos recursos hídricos.
O FinnLAC encerrou com esses temas um fórum marcado, desde o início, por uma mensagem inequívoca: a atuação conjunta de reguladores e do setor privado é indispensável para impulsionar transformações na região, desde a consolidação das fintechs até o fortalecimento da saúde financeira.
O fórum reuniu cerca de 70 palestrantes e mais de 500 participantes dos setores bancário, empresarial e público de cerca de 30 países, em aproximadamente vinte palestras e demonstrações de produtos, focadas nas oportunidades de negócios proporcionadas pela digitalização financeira na América Latina e no Caribe. EFE