Lavrov acusa Ocidente de tentar distanciar Rússia e China

Moscou (EFE).- O Ocidente busca distanciar Rússia e China, mas, apesar disso, as relações entre os dois países estão no seu melhor momento, afirmou nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.

“As pessoas nos perguntam se temos provas de que o Ocidente está de alguma forma tentando gerar discórdia nas nossas relações. Não é sequer necessário procurar estas provas porque são de livre acesso”, disse Lavrov em entrevista coletiva anual.

Lavrov disse que estão fadadas ao fracasso as aspirações do Ocidente de derrotar a Rússia na Ucrânia e depois “permitir” que Moscou seja um aliado na luta contra a China.

“As nossas relações com a República Popular da China estão no seu melhor momento na sua história”, enfatizou.

Lavrov recordou que os presidentes da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, estabeleceram as diretrizes para esta relação em fevereiro de 2022, quando o líder russo visitou o território chinês.

“Vocês se recordarão de como os nossos amigos chineses descreveram outrora estas relações: não é uma aliança, não é uma união, mas em muitos aspectos é muito mais do que uma união”, analisou.

O chefe da diplomacia russa destacou que “as estratégias que os EUA aprovam, as doutrinas de segurança e as declarações conjuntas da Otan e da UE, mencionam tanto a Rússia como a China”.

“Um pequeno detalhe, somos vistos como uma ameaça imediata que deve acabar logo, enquanto a China é vista como um desafio a longo prazo, o mais importante e sério, de natureza sistêmica”, acrescentou.

O chanceler russo observou que os EUA “não tem forças próprias suficientes” para prosseguir o seu curso de domínio e contenção da Rússia e da China, “e é precisamente por isso que o que estão fazendo agora não é uma mobilização parcial, mas uma mobilização total do Ocidente”.

“Isto é mais uma confirmação de que eles compreendem que estão perdendo as forças para enfrentar o objetivo e a tendência histórica da formação de um mundo multipolar”, argumentou.

Segundo Lavrov, o Ocidente continuará à procura de fatores irritantes para Pequim.

“A China compreende perfeitamente bem a doutrina ocidental de ‘Rússia primeiro, depois a China’ e sabe que não é uma brincadeira”, disse, observando que o Ocidente “já adotou posições sobre Taiwan que são totalmente inaceitáveis tanto para a China como para o direito internacional”.

Lavrov afirmou que o Ocidente “está à procura de novas possibilidades concretas para ‘irritar’ a China, incluindo o Tibet, Sinkiang, Hong Kong, e é por isso que a China compreende que a parte restante do sistema ocidental, sendo totalmente dependente do Ocidente, implica riscos muito sérios”. EFE