O ministro de Turismo e Esportes da Argentina, Matías Lammens. EFE/Guille Llamos/Ministério de Turismo da Argentina
O ministro de Turismo e Esportes da Argentina, Matías Lammens. EFE/Guille Llamos/Ministério de Turismo da Argentina

Argentina disputa «grandes ligas» do turismo no pós-pandemia

Concepción M. Moreno

Buenos Aires (EFE) – A Argentina entrou para a disputa das «grandes ligas internacionais» do turismo após a pandemia da covid-19, que atingiu fortemente o setor, e apresentará nesta semana suas variadas opções de destinos na Feira Internacional de Turismo de Madri (Fitur).

Banner WhatsApp

Em entrevista à Agência EFE, o ministro de Turismo e Esportes, Matías Lammens, explicou que a Argentina promoverá «os destinos tradicionais que já são conhecidos em todo o mundo», como as Cataratas do Iguaçu (na fronteira com o Brasil) e as geleiras patagônicas (no sudoeste do país), além de «destinos emergentes» que «têm grande potencial», como Esteros del Iberá (no nordeste).

«Acreditamos que a Argentina tem um grande potencial, uma grande oportunidade para consolidar, nos próximos anos, um desenvolvimento sustentável, ecologicamente correto e que não tenha impacto ambiental», acrescentou Lammens, que também apresentará na Fitur projetos como a Rota Natural, criada com crédito obtido através do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para melhorar a infraestrutura para o ecoturismo.

Pós-pandemia

O último relatório apresentado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) mostrou que em novembro a Argentina recebeu 841.500 visitantes que não residem no país, 45,6% deles por via aérea e 41,5% por via terrestre, atraindo um total de 6,3 milhões de turistas desde janeiro de 2022.

Países vizinhos como Brasil, Uruguai e Chile são os principais mercados para o turismo receptivo, mas agora é o momento, com a recuperação pós-pandêmica, de «entrar para a disputa nas grandes ligas internacionais».

Para isso, Lammens considerou fundamental o trabalho realizado pelo governo argentino para «apoiar e fortalecer o setor» com incentivos ao turismo interno durante o fechamento das fronteiras entre 2020 e 2021.

«Nós sustentamos a demanda, sustentamos o setor, para poder iniciar agora esta nova etapa que nos entusiasma muito», disse o ministro, que listou programas para atrair visitantes estrangeiros, como o Tesouros Argentinos, dedicado à gastronomia, e acordos com grandes operadores turísticos «para promover a Argentina e fazer com que o público opte pelo país em vez de escolher outros destinos».

Para Lammens, além das inúmeras atrações e da diversidade de destinos turísticos no país, o produto argentino tem hoje «qualidade», «infraestrutura» e «serviço», além de «um preço muito econômico», o que é um «grande diferencial» para os estrangeiros.

Nesse sentido, ele lembrou a recente implementação do «cartão dólar», disponibilizado pela Visa ou pela Mastercard, para as compras realizadas por turistas estrangeiros na Argentina e que oferece uma taxa de câmbio mais vantajosa que a oficial, «reduzindo os custos pela metade».

Argentina na Fitur

O ministro de Turismo e Esportes disse à EFE que a Fitur «é uma das feiras onde há a maior presença tanto do setor privado quanto do público» e onde «praticamente todos os países estão representados», razão pela qual a Argentina decidiu enviar uma “grande delegação” para participar do evento.

«Para nós, a Espanha é um mercado importante, mas quando você vai à Fitur você sabe que não está falando apenas com o público espanhol, mas com o público de todo o mundo», destacou o titular da pasta, que garantiu que tem «grandes expectativas» com relação à feira.

Lammens, que é advogado e empresário, e chegou a ser presidente do clube de futebol argentino San Lorenzo entre 2012 e 2019, participará em Madri de reuniões com a Iberia para que a companhia aérea promova o destino e participará também do anúncio da Aerolíneas Argentinas sobre o aumento da frequência de voos entre Buenos Aires e a capital espanhola, entre outras atividades.

Um dos destaques do pavilhão argentino na Fitur será a apresentação da candidatura de San Carlos de Bariloche (no sudoeste) para sediar a exposição internacional especializada em 2027, uma disputa que inclui destinos como Málaga (Espanha), o estado de Minnesota (Estados Unidos), Phuket (Tailândia) e Belgrado (Sérvia).

Após a apresentação oficial, que aconteceu em Paris, em 28 de novembro do ano passado, o evento de Madri mostrará «um lado menos conhecido da Argentina» para o público em geral, afirmou Lammens.

«(San Carlos de) Bariloche é um local onde são produzidos reatores nucleares, satélites, ciência e tecnologia do mais alto nível mundial», ressaltou o ministro, que também lembrou que a cidade é «uma das mais belas da Argentina e do mundo, com paisagens extraordinárias».

Para ele, a «enorme oportunidade de desenvolvimento» que a Expo 2027 traria para a Argentina e para o resto da região, e a «equidade» da «redistribuição de recursos» para o hemisfério sul geram «boas expectativas» para a candidatura de seu país.

A Fitur, que terá este ano sua primeira edição sem restrições sanitárias desde a covid-19, será realizada em Madri de 18 a 22 de janeiro, e contará com a participação de 8.500 empresas, 131 países e 755 expositores distribuídos em oito pavilhões. EFE