Ruy A. Valdés |
Seul (EFE).- O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, está nesta sexta-feira em Buenos Aires, última parada de sua viagem pela América do Sul, em busca de transformar o país asiático no «parceiro ideal» da Argentina no setor de minerais críticos, promover um acordo com o Mercosul e diversificar fontes de energia.
«Com base em nossa bem-sucedida cooperação na produção de lítio, nossos dois países assinarão durante esta visita um memorando de entendimento sobre cooperação na cadeia de suprimentos de minerais críticos», disse Lee em uma entrevista à EFE antes do encontro desta sexta-feira com o presidente argentino, Javier Milei.
O governante da quarta maior economia da Ásia também explicou que o memorando busca estabelecer um «marco de cooperação» para toda a cadeia de suprimentos no setor.
Considerando as capacidades industriais avançadas do país asiático, especialmente em materiais para baterias, Lee afirmou que a Coreia do Sul será o «parceiro ideal» para a Argentina em sua busca para agregar valor a seus recursos minerais.
Lee destacou como exemplo de cooperação o projeto Sal de Oro, operado pela filial argentina da empresa sul-coreana POSCO, nas províncias de Salta e Catamarca, uma iniciativa que abrange desde a extração e o processamento do lítio até a produção comercial de compostos do mineral.
Acordo com Mercosul em meio a diferenças regionais
Uma das prioridades da agenda do presidente sul-coreano na América do Sul é reiniciar as negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul. As conversas remontam a 2018, mas estão estagnadas há cinco anos.
O mandatário destacou a complementaridade entre um bloco forte em agricultura, alimentos, energia e minerais críticos e uma Coreia do Sul competitiva em manufatura avançada, tecnologias digitais, construção naval, baterias e inovação.
Durante sua passagem pelo Brasil nesta semana, Lee e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concordaram em trabalhar para anunciar a retomada das conversas na próxima cúpula do Mercosul, prevista para dezembro, uma vez obtido o respaldo dos demais membros.
O encontro de Lee com Milei, no entanto, ocorre dias depois que o mandatário argentino atacar verbalmente o próprio Lula, provocando uma nova tensão entre os vizinhos e membros do Mercosul.
Na entrevista, realizada antes dessa nova polêmica, Lee reconheceu as diferenças políticas existentes na região, incluindo as que separam os líderes de Brasil e Argentina, e considerou «natural» que existam diferenças em políticas comerciais e pontos de vista em assuntos internacionais.
«(As nações sul-americanas) resolveram disputas territoriais mediante o diálogo e o compromisso e estabeleceram o Mercosul para reduzir as barreiras comerciais regionais», disse.
Diversificação energética
A dependência energética da Coreia do Sul se viu exposta neste ano após a eclosão da guerra no Oriente Médio, região da qual importa cerca de 70% de seu petróleo.
Por isso, o governo sul-coreano transformou em prioridade nacional diversificar as fontes de petróleo cru, incluindo o início de contatos pertinentes com países como Brasil e México.
«Como consequência, a Coreia do Sul está olhando para a Argentina, que está passando de importador de energia a exportador por meio da expansão da produção em Vaca Muerta, uma importante jazida de petróleo e gás de xisto», disse.
Lee também destacou que a empresa sul-coreana de refinaria HD Hyundai Oilbank comprou petróleo cru argentino pela primeira vez neste ano.
O presidente sul-coreano considera que as condições estáveis de transporte e a ausência de gargalos marítimos permitirão à Argentina desempenhar um papel mais relevante no mutável panorama energético mundial.
«Espero que esta visita sirva como um novo ponto de partida para a cooperação energética entre a Coreia do Sul e a Argentina», concluiu.
O mandatário fechará no sábado a viagem pela América do Sul, que também incluiu uma reunião no Chile com o presidente José Antonio Kast. Em seguida, Lee viajará para a Alemanha. EFE








