Genebra (EFE).- O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter reafirmou, em entrevista publicada nesta terça-feira, que a escolha do Qatar como sede da Copa do Mundo deste ano foi «um erro», cuja responsabilidade é do ex-presidente da Uefa, Michel Platini.
«Graças aos quatro votos de Platini e sua equipe, a Copa do Mundo foi para o Qatar, ao invés dos Estados Unidos. Essa é a verdade», disse o suíço ao jornal «Tribune de Genève».
À publicação, o ex-dirigente garantiu que o emirado localizado no Golfo Pérsico «é um país pequeno demais, para o que é um Mundial, que é grande demais».
No ano passado, Blatter, em outra entrevista, afirmou que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pressionou Platini para que os votos da Uefa fossem para o Qatar, após uma reunião do chefe de Estado com o príncipe herdeiro qatariano.
«Seis meses depois, o Qatar comprou aviões de combate da França, por US$ 14,6 milhões. Com certeza, era uma questão de dinheiro», disse o ex-presidente da Fifa.
O suíço, suspenso do futebol por acusações de corrupção, em 2015, afirmou que, antes da escolha dupla das sedes da Copa de 2018 e 2022, era consenso que a primeira seria da Rússia, e a segunda dos Estados Unidos.
«Teria sido um gesto de paz, que os dois adversários políticos desde muito tempo, organizaram um Mundial de forma consecutiva», disse Blatter, na entrevista publicada hoje.
O suíço afirmou não ter se arrependido da escolha da Rússia para a Copa de 2018.
«Foram bons organizadores», avaliou.
Blatter reconheceu a relação ruim com o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmando não entender «que ele vive atualmente no Qatar».
«Ele não pode ser, ao mesmo tempo, diretor local da organização», disse o ex-dirigente, que afirmou que o compatriota «o evita».
Além disso, Blatter minimizou as críticas feitas ao Qatar por organizações e países, inclusive, com boicotes.
«Com o primeiro apito inicial de um árbitro, já não falaremos mais de todos esses problemas, apenas de esporte», disse.
Questionado sobre a recente absolvição – junto com a de Platini -, no processo de corrupção que custou o cargo de presidente da Fifa, Blatter se disse «aliviado», pois «sempre soube que era inocente».
Apesar da decisão, anunciada pelo Tribunal Penal Federal da Suíça, em julho, o caso contra os dirigentes segue, já que o Ministério Público apelou da sentença. EFE




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