Moscou (EFE).- O Kremlin descartou nesta quarta-feira uma possível saída da Rússia da aliança ampliada da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+), algo que anunciaram ontem os Emirados Árabes Unidos.
O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, respondeu negativamente a uma pergunta sobre o assunto durante sua entrevista coletiva por telefone diária, embora tenha manifestado seu respeito pela decisão «soberana» dos Emirados.
«É uma decisão soberana dos Emirados Árabes Unidos. Nós a respeitamos», afirmou.
Peskov acrescentou que Moscou também saúda a posição do país árabe de manter «uma postura responsável nos mercados energéticos e de coordenação no plano bilateral».
Quanto ao futuro da Opep, expressou sua confiança de que o cartel não se desintegre, já que – argumentou – o trabalho realizado em seu seio «é especialmente importante nas atuais condições, quando os mercados energéticos, falando claramente, atravessam uma tempestade».
«Este formato permite minimizar em grande medida as oscilações e estabilizar os mercados energéticos», apontou.
A Rússia, que sofreu uma queda de 45% nas receitas de exportação de petróleo nos dois primeiros meses do ano, tem se beneficiado desde então da drástica alta nos preços do barril devido à guerra no Irã.
Os Emirados explicaram ontem que sua decisão é impulsionada «pelos interesses nacionais e pelo compromisso do país de contribuir ativamente para satisfazer as necessidades urgentes do mercado, especialmente dada a atual volatilidade geopolítica a curto prazo derivada das perturbações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que afetam a dinâmica da oferta».
A agência de notícias oficial emiratense “WAM” destacou que «as tendências fundamentais indicam um crescimento contínuo da demanda mundial de energia a médio e longo prazo», e defendeu que «a estabilidade do sistema energético mundial depende da disponibilidade de suprimentos flexíveis, confiáveis e acessíveis».
A retirada dos Emirados chega em um momento em que a produção da Opep caiu em março quase 8 milhões de barris diários (mbd), uma redução de 27,5% em relação ao bombeado em fevereiro, devido à guerra no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que afetou sobretudo o Iraque e os países do Golfo Pérsico.
Os Emirados Árabes Unidos uniram-se à Opep em 1967 por meio do emirado de Abu Dhabi e mantiveram sua adesão após a fundação do país em 1971.
«Durante todo este período, o país desempenhou um papel ativo no apoio à estabilidade do mercado petrolífero mundial e no fomento do diálogo entre os países produtores», acrescentou a “WAM”.
Além disso, a medida ocorre diante das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Opep, organização que acusou de inflar os preços do petróleo. EFE



![[FILE] Dmitri Peskov EFE-EPA/ALEXANDER ZEMLIANICHENKO / POOL](https://i0.wp.com/efe.com/wp-content/uploads/2026/03/rss-efe4329a2ec7e25f3f0829a19c210cbd754fbd67d8cw.webp?fit=300%2C200&ssl=1)


