Natalia Kidd |
Puerto Iguazú (EFE).- A formação que os corpos diplomáticos recebem em questões comerciais, com ênfase nas pequenas e médias empresas (PMEs) e na agenda digital, é fundamental para o futuro do processo de integração latino-americano, disse em entrevista à Agência EFE o secretário-geral da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), Sergio Abreu.
Durante sua participação na cúpula bianual do Mercosul, que está sendo realizada na cidade argentina de Puerto Iguazú, Abreu e o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero, assinaram na segunda-feira um memorando de entendimento entre a Secretaria Geral da Aladi e o Instituto Nacional do Serviço Exterior da Argentina (ISEN), para o treinanmento de futuros diplomatas argentinos.
O objetivo desse acordo é formar jovens diplomatas em tópicos específicos do processo de integração sub-regional, regional e hemisférica.
«O profissionalismo dos ministérios de Relações Exteriores é muito importante. E isso permite que aqueles que representam os países trabalhem de forma atualizada nas negociações comerciais e em todas as novas questões, como a agenda digital», destacou Abreu.
A Aladi já colabora com outros centros de treinamento diplomático na região, uma forma concreta de promover uma vocação para a integração que se traduza em ações e mecanismos que facilitem o comércio e a produção regional.
«A formação é fundamental. Há um discurso de compromisso com a integração, mas, hoje, um caminhão pode levar dois ou três dias para atravessar uma fronteira no Mercosul. O problema é burocrático. E as burocracias não podem ser um obstáculo diante da vontade política, assim como a vontade política não pode se restringir a declarações», disse o uruguaio, que está, desde setembro de 2020, à frente da entidade integrada por Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Impacto da crise
O treinamento como estratégia para fortalecer a integração torna-se ainda mais relevante em tempos de crise como o atual, em que os países podem cair na tentação de se entrincheirar para tentar se proteger em vez de buscar alternativas para superar a crise.
A crise resultante da pandemia de covid-19 e da guerra na Ucrânia teve um forte impacto na América Latina, com um índice de pobreza em 2022 de 27%, uma taxa de desemprego de 7% com uma alta porcentagem de informalidade (50%) e uma inflação média de 8%, o que piora as condições de segurança alimentar da população.
Esse cenário também ampliou as lacunas existentes na região em termos de produção, transformação digital e assuntos sociais.
«Neste continente, que é o mais desigual do planeta, as mais vulneráveis são as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), os empreendedores que foram deixados de lado por essa crise e que precisam de treinamento, produção e conectividade digital», disse Abreu, que foi ministro das Relações Exteriores do Uruguai entre 1993 e 1995.
Para promover a integração de forma concreta, a Aladi está trabalhando em três eixos estratégicos: a promoção do comércio e da tecnologia – dando às empresas acesso a ferramentas digitais, por exemplo -, a convergência de mecanismos digitais e a regulamentação no setor agroalimentar, de infraestrutura e de logística, para impulsionar o comércio.
Mais comércio
Para Abreu, é fundamental aprofundar o comércio intra-regional, que ainda é muito baixo (12% entre os países da Aladi) em comparação com outras áreas (63% na Europa e 52% na Ásia).
O ex-ministro de Indústria, Energia e Mineração do Uruguai, também defendeu o papel da Aladi como depositária de acordos comerciais da região e de protocolos aprovados pelo Mercosul, por exemplo, sobre comércio eletrônico, assinaturas digitais e roaming.
«Quando o Mercosul registra esses acordos, eles são disponibilizados para outros países da região. E os outros países negociam e fica mais fácil», detalhou Abreu.
Ele também ressaltou a importância de o Mercosul, bloco fundado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, finalmente fechar um acordo comercial com a União Europeia (UE), que está em negociação há mais de 20 anos.
«É um acordo que tem a esclerose da modernidade. Mas acredito que é preciso avançar porque o Mercosul é o único bloco que não tem um acordo substancial com países grandes. Temos que nos esforçar porque hoje o perigo da irrelevância em matéria comercial deve preocupar a todos», concluiu. EFE





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