El presidente de Colombia, Gustavo Petro, participa en la sesión de apertura de la Cumbre Amazónica hoy, en Belém (Brasil). EFE/Antonio Lacerda
Gustavo Petro nesta terça-feira, em Belém. EFE/Antonio Lacerda

Petro propõe tribunal internacional e uma «Otan amazônica» para defender a floresta

Belém (EFE).- O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, propôs nesta terça-feira, no âmbito da Cúpula dos Países Amazônicos, a criação de um tribunal ambiental internacional para julgar atos ilegais na região e uma espécie de «Otan amazônica» para defendê-la «com armas».

«Se o motor da Amazônia está cada vez mais ilegal e representa um crime contra a humanidade, como defender a vida? Com ​​razões, mas também com armas», sugeriu Petro em seu discurso na quarta cúpula presidencial da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que acontece hoje e amanhã na cidade de Belém.

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Petro indicou que este tribunal ambiental serviria para «julgar os crimes» contra a maior floresta tropical do planeta, «reconhecendo os direitos» do bioma, que nos últimos anos viu a expansão de redes de narcotráfico em seu território, bem como como o desmatamento, o garimpo ilegal e a violência contra indígenas, entre outros crimes.

Nesse sentido, lembrou que ouviu do ex-presidente equatoriano Rafael Correa (2007-2017) essa ideia de estabelecer um «tribunal de justiça ambiental» em nível global, mas o que propõe é limitá-lo aos países amazônicos.

Além disso, defendeu a assinatura de um «tratado militar» na região amazônica com a formação de um bloco semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e assim enfrentar os «crimes» que ocorrem no território.

O presidente colombiano também reivindicou o fomento de um «centro comum de pesquisas científicas» no qual cientistas dos oito países da OTCA pesquisem a floresta tropical.

Da mesma forma, Petro mais uma vez levantou a bandeira contra o uso de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás, com críticas veladas a governantes progressistas que defendem esse tipo de projeto, inclusive na Amazônia.

“Sem a selva amazônica iremos para os Estados Unidos em êxodo porque o que os povos vão fazer sem água? Eles vão embora, é lógico”, disse.

«É possível manter uma linha política desse nível? Apostar na morte e destruir a vida? Ou devemos propor algo diferente, que é o que chamo de sociedade descarbonizada?», questionou.

Em sua opinião, “se a floresta produzir petróleo”, os governos da região “estarão matando a humanidade” porque o ecossistema deixará de ser uma “esponja” de dióxido de carbono.

Nesse contexto, alertou que hoje “não basta mais” atingir a meta de “desmatamento zero” para absorver todas as emissões que são lançadas na atmosfera.

«A solução é deixar o petróleo, o carvão e o gás», reiterou.

Este é o quarto encontro de líderes da OTCA, criada em 1995 e integrada pelos oito países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), e o primeiro desde 2009. EFE