Brasília (EFE) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que seu homólogo da Argentina, Javier Milei, e o ex-presidente Jair Bolsonaro são contra o sistema e pediu a defesa dos valores democráticos frente a extrema-direita que ambos representam.
«A democracia está correndo risco no mundo», declarou Lula em um discurso inflamado durante evento em Porto Alegre, no qual atribuiu essas ameaças à nova extrema-direita.
De acordo com Lula, «a esquerda e os setores progressistas antes criticavam o sistema. Quando ganham as eleições, passam a fazer parte do sistema. E a direita, que fica fora, vira contra o sistema.»
«Quem é contra o sistema, hoje, quem critica tudo, é o [Javier] Milei na Argentina. É o Bolsonaro, que até hoje não reconhece a derrota dele”, criticou Lula.
«Antes na política tínhamos adversários e não inimigos, mas agora isso acabou no Brasil, nos Estados Unidos, na Espanha e está acabando em Portugal», declarou o presidente, pedindo a recuperação do «humanismo e do valor das instituições que são as garantias da democracia».
“A política, no mundo inteiro, está tomada pelo ódio. A política está tomada por um ódio que certamente a maioria de vocês nunca tinha vivido. Não estávamos acostumados a fazer política assim”, afirmou.
“A democracia corre risco no mundo pelo fascismo, pelo nazismo, pela extrema direita raivosa e bruta que ofende as pessoas, que não acredita nas pessoas”, prosseguiu o petista.
“A gente não tem que brigar apenas com um governador ou com um presidente. A gente tem que brigar contra um pensamento perverso, malvado, que odeia”, completou.
Em seguida, alertou para os perigos das novas tecnologias e disse que o ser humano não consegue usar toda a sua inteligência e agora querem substituí-la pela inteligência artificial, sobre o que não se conteve e acrescentou: «Que besteira!
Segundo Lula, o mundo está vivendo um dos momentos mais «grotescos, em que a verdade não vale nada e a mentira vale tudo». Por isso, o campo progressista deve lutar para convencer as pessoas de que «não são algoritmos, mas seres humanos que querem solidariedade e fraternidade». EFE
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