Jerusalém (EFE).- O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, defendeu nesta terça-feira o bloqueio à ajuda humanitária na Faixa de Gaza, argumentando que o grupo islâmico Hamas está se apoderando dela e usando-a para se financiar.
«A ajuda que vai para o Hamas não é humanitária. Infelizmente, a aquisição de bens pelo Hamas transformou-a em um motor econômico para eles. Tornou-se a principal renda orçamentária do Hamas em Gaza», disse Saar em uma entrevista coletiva na sede do Ministério das Relações Exteriores em Jerusalém.
O principal diplomata israelense também declarou que esses fundos são usados para «fins terroristas», entre os quais citou a restauração das capacidades do grupo na Faixa de Gaza e o recrutamento de milicianos.
Saar acrescentou que o bloqueio à entrada de ajuda humanitária em Gaza foi uma resposta à recusa do Hamas em estender a primeira fase do cessar-fogo, cujo último dia foi sábado, em vez de passar para a segunda fase, conforme estipulado no acordo entre as partes.
No final da primeira fase, Israel anunciou que apoiava a proposta do enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, de uma extensão de 50 dias da trégua, durante a qual os reféns que ainda estavam em Gaza seriam libertados: metade dos vivos e mortos no primeiro dia e a outra metade no último.
«Infelizmente, o Hamas rejeitou a oferta. Como resultado, Israel parou de permitir ajuda em Gaza», afirmou Saar.
Os islâmicos defendem negociações para avançar à segunda fase pactuada, durante a qual os reféns seriam libertados, mas que envolveria também a retirada das tropas israelenses do enclave e um fim sustentável das hostilidades.
«Israel cumpriu integralmente sua parte (do acordo) até o último dia, incluindo a parte da ajuda humanitária», garantiu o ministro.
O Hamas, no entanto, alega que Israel violou o acordo em 962 ocasiões, incluindo ataques à população de Gaza, bombardeios, atrasos na libertação de prisioneiros e acesso à ajuda humanitária em níveis inferiores aos acordados.
A segunda fase do cessar-fogo deveria começar no domingo, mas as negociações entre as partes, que deveriam começar em 3 de fevereiro, estagnaram.
Na segunda-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que Israel havia «respondido» a um pedido dos mediadores (Estados Unidos, Catar e Egito) para estender as negociações «por alguns dias», depois que a primeira fase do cessar-fogo expirou no sábado sem que as partes tivessem chegado a um acordo sobre a segunda. EFE






![[FILE] Dmitri Peskov EFE-EPA/ALEXANDER ZEMLIANICHENKO / POOL](https://i0.wp.com/efe.com/wp-content/uploads/2026/03/rss-efe4329a2ec7e25f3f0829a19c210cbd754fbd67d8cw.webp?fit=300%2C200&ssl=1)


