Sergey Lavrov. EFE/Arquivo/ALEXANDER ZEMLIANICHENKO/POOL

Lavrov acusa Europa de tentar converter Ucrânia na “guerra de Trump»

Moscou (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou nesta quarta-feira os países europeus de tentarem fazer com que os Estados Unidos renunciem à sua mediação com a Rússia e, dessa forma, converter a Ucrânia «na guerra de Trump».

«Em essência, converter a guerra de (Joe) Biden na guerra de Trump», declarou.

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«A Europa tenta clara e muito grosseiramente conquistar um lugar na mesa de negociações, embora a partir da postura que professa: o revanchismo e o ataque à Rússia com uma derrota estratégica. É claro que, na mesa de negociações, eles não têm nada a fazer», acrescentou Lavrov em um pronunciamento transmitido pela televisão russa.

Trump enviou uma carta no sábado aos membros da Otan, na qual alertou que não imporá novas sanções a Moscou enquanto alguns aliados continuarem comprando petróleo russo.

«Estou disposto a impor sanções importantes à Rússia quando todas as nações da Otan tiverem concordado e começado a fazer o mesmo e quando todas as nações da Otan PARAREM DE COMPRAR PETRÓLEO DA RÚSSIA», escreveu o presidente americano em suas redes sociais.

Turquia, Hungria e Eslováquia continuam importando petróleo russo, embora a maioria dos países europeus tenha parado de fazê-lo após o início da invasão russa da Ucrânia em 2022.

Por outro lado, Lavrov garantiu que Moscou aceitará apenas garantias de segurança para a Ucrânia que contemplem «uma segurança indivisível», de modo que ninguém reforce sua segurança às custas da de seus vizinhos.

«É precisamente isso que o Ocidente está tentando fazer agora na Ucrânia, tentar salvá-la do desastre total», disse.

Além disso, criticou a atual Secretaria Geral da ONU por «branquear» as ações do governo de Kiev, o qual acusou de «graves violações» do direito humanitário.

«Nos entristece profundamente ver como os dirigentes da Secretaria se juntam à frente antirussa ocidental, minando assim a autoridade da ONU», destacou.

Nesse sentido, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu na terça-feira não estar «otimista» em relação a uma paz de curto prazo na guerra russa na Ucrânia.

«Não sou otimista sobre um progresso de curto prazo no processo de paz na Ucrânia. Precisamos de um cessar-fogo imediato que leve a uma solução baseada na Carta das Nações Unidas e nas resoluções da Assembleia Geral», declarou Guterres em uma entrevista coletiva na sede da organização em Nova York.

Lavrov discursará na próxima semana na Assembleia Geral da ONU em representação do presidente russo, Vladimir Putin. EFE