Paris (EFE).- O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, pediu à Comissão Europeia que lhe apresente «rapidamente» propostas para as suas objeções ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, em particular os problemas de «concorrência desleal» que, a seu ver, o acordo representa para os seus agricultores.
Em um comunicado publicado nesta quarta-feira, o gabinete de Lecornu frisa que quer «propostas para garantir que qualquer produto agrícola que venha da Europa ou do exterior seja submetido às mesmas regras».
«Se uma substância ou um modo de produção estão proibidos para os nossos agricultores, deve ser o mesmo para os produtos importados», acrescenta.
Além disso, o chefe do governo francês enfatiza que, para que essas medidas possam ser aplicadas eficazmente, tem que haver controle, o que significa que «a UE deve dotar-se de meios para garantir controles efetivos nas suas fronteiras».
Embora não explicitamente, por trás dessa exigência está o contencioso pelo acordo UE-Mercosul alcançado entre os dois blocos em dezembro do ano passado, mas que desde então se deparou com a oposição taxativa da França, que teme a chegada maciça de produções agrícolas e pecuárias que não estão submetidas às mesmas regras sanitárias ou ambientais.
O primeiro-ministro – segundo o seu gabinete – escreveu à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para recordar-lhe essas «exigências francesas».
Lecornu recebeu nesta terça-feira o comissário da Agricultura europeu, Christophe Hansen, com quem devia falar da reforma da Política Agrícola Comum, mas também do acordo UE-Mercosul.
Para tentar bloquear a sua aplicação, as autoridades francesas procuraram nos últimos meses apoios em outros países da União Europeia para tentar constituir uma minoria de bloqueio.
No entanto, as coisas mudaram nas últimas semanas com negociações entre Paris e Bruxelas, que fez concessões com cláusulas de salvaguarda, que seriam adicionadas ao próprio acordo, e que visam dar garantias à França.
O próprio Macron declarou na última sexta-feira em Bruxelas que as garantias oferecidas pela Comissão em resposta aos temores manifestados pela França iam «na boa direção» e que o trabalho continuava. EFE






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