Washington (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta quinta-feira que seu anúncio de retomada imediata de testes nucleares está focado em conseguir a «desnuclearização» e incluir a China nas negociações dos tratados de não proliferação com a Rússia.
«Eu gostaria de ver a desnuclearização, porque temos muitas (armas nucleares) e a Rússia sofreu. A Rússia é a segunda e a China a terceira, e a China vai avançar em quatro ou cinco anos. Acho que a desescalada, o que eu chamaria de desnuclearização, seria uma grande coisa. Algo sobre o qual estamos falando com a Rússia e queremos adicionar a China, se o fizermos», declarou Trump no avião presidencial americano, de volta da Coreia do Sul, onde se reuniu com seu homólogo chinês, Xi Jinping.
Trump parafraseou desta maneira um comentário publicado anteriormente em suas redes sociais no qual assegurava que os EUA iriam retomar os testes nucleares «em bases de igualdade» com Moscou e Pequim, depois que a Rússia realizou manobras de suas forças nucleares.
«Devido aos programas de testes de outros países, dei instruções ao Departamento de Guerra para que comece a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições. Esse processo começará imediatamente», escreveu Trump na plataforma.
Posteriormente, minimizou a importância ao ser questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de que estes testes elevem o risco nuclear no mundo. «Eu os vejo fazendo testes e digo a mim mesmo: se eles fizerem testes, teremos que fazê-los.»
O último teste nuclear dos Estados Unidos foi em 1992, ano em que o presidente George Bush (1989-93) anunciou uma moratória em testes nucleares subterrâneos.
Desde então, os EUA limitaram seus testes aos mísseis balísticos com capacidade para carregar ogivas nucleares e aos sistemas de defesa. De fato, há uma semana o Comando Estratégico (USSTRATCOM) iniciou os exercícios anuais Global Thunder para simular a defesa dos Estados Unidos contra um ataque nuclear.
Os Estados Unidos poderiam reiniciar com relativa facilidade os testes nucleares em seus terrenos federais no estado de Nevada, onde foi realizado o último teste subterrâneo.
O último teste de uma bomba nuclear da China foi em 1996 e, no passado mais recente, a Rússia se limitou a testar sistemas que podem transportar armas nucleares, não as bombas atômicas em si.
O tratado de não proliferação entre Estados Unidos e Rússia, o New START, vence em 4 de fevereiro e não há um caminho claro para substituí-lo. Moscou deixou os compromissos de verificação e monitoramento em 2023 e, desde então, disse que se regerá pelos requisitos do acordo de forma voluntária, desde que Washington também o faça. EFE



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