Moscou (EFE).- A Rússia rejeitou nesta terça-feira tanto as ameaças de um possível ataque militar dos Estados Unidos contra o território do Irã quanto um possível aumento das tarifas americanas aos parceiros comerciais iranianos.
“As ameaças de novos ataques militares contra o território da República Islâmica feitas por Washington são categoricamente inadmissíveis”, afirmou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em comunicado divulgado no site do ministério.
A diplomata advertiu para as “consequências nefastas” para o Oriente Médio e a segurança internacional caso alguma potência – embora não tenha citado expressamente os EUA – aproveite os “distúrbios instigados do exterior” como desculpa para repetir o ataque cometido em junho de 2025 por Israel e EUA.
“Também refutamos veementemente as tentativas de chantagear os parceiros estrangeiros do Irã com o aumento das tarifas”, acrescentou.
Moscou considera que “forças externas” tentam aplicar os métodos das “revoluções coloridas” (populares) para “desestabilizar e destruir o Estado iraniano”.
“Condenamos veementemente a interferência externa incendiária nos processos políticos internos do Irã”, disse a porta-voz, que destacou que as autoridades islâmicas têm demonstrado vontade de “diálogo construtivo” para superar as consequências negativas da política hostil do Ocidente.
Zakharova destacou que “a diminuição dos protestos” nos últimos dias sugere uma “estabilização gradual da situação”, à qual se soma o apoio demonstrado por milhares de iranianos ao regime dos aiatolás.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira o cancelamento do diálogo com as autoridades do Irã até que “cessem os assassinatos” nos protestos que abalam o país e afirmou aos manifestantes que a “ajuda está a caminho”.
“Patriotas iranianos, continuem protestando! Assumam o controle de suas instituições! Guardem os nomes dos assassinos e dos responsáveis pelos abusos. Eles pagarão um alto preço. Cancelei todas as reuniões com funcionários iranianos até que cessem os assassinatos sem sentido dos manifestantes”, escreveu Trump em sua rede social própria, a Truth Social.
Trump advertiu ontem que qualquer país que “fizer negócios” com o Irã será punido com uma tarifa de 25%. “Esta ordem é imediata e definitiva”, afirmou.
O secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, condenou ontem a interferência externa nos assuntos do Irã durante um telefonema para o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani.
O presidente russo, Vladimir Putin, que reapareceu na segunda-feira no Kremlin após quase duas semanas de ausência devido às festas de Natal, absteve-se por enquanto de comentar a situação no Irã, país que não ajudou quando foi bombardeado em junho de 2025 por Israel e, posteriormente, pelos EUA. EFE





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