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EFE/André Borges/Arquivo

Lula e Macron defendem fortalecimento da ONU diante de proposta de Trump

Rio de Janeiro (EFE).- Os presidentes de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e França, Emmanuel Macron, concordaram nesta terça-feira em defender o fortalecimento da ONU frente à proposta do americano Donald Trump de criar um «Conselho da Paz» para resolver conflitos mundiais, começando pelo da Palestina.

Em uma conversa telefônica de cerca de uma hora, os dois mandatários afirmaram que a ONU é o organismo mais adequado para resolver os conflitos globais, informou o Palácio do Planalto em um comunicado.

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De acordo com a nota, ao tratarem da proposta do Conselho da Paz apresentada pelos Estados Unidos, os dois líderes «defenderam o fortalecimento das Nações Unidas e concordaram que iniciativas em assuntos de paz e de segurança têm de estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU».

A conversa com Macron, que já recusou o convite para integrar ao Conselho da Paz, ocorreu um dia após Lula, também em um telefonema, pedir a Trump que o organismo proposto se limite a lidar com a situação de Gaza e inclua um «assento» para a Palestina.

Lula, que ainda não aceitou o convite para integrar ao Conselho, propôs mudanças no organismo concebido por Trump para resolver conflitos em todo o mundo e que, inicialmente, havia sido apresentado com o objetivo de ajudar na recuperação do território palestino após a guerra entre Israel e Hamas.

Em sua conversa com Trump, o petista reiterou a «importância» de uma reforma «ampla» da ONU que inclua o aumento do número de países-membros permanentes do Conselho de Segurança, uma antiga aspiração do Brasil.

Durante um ato realizado na última sexta-feira, Lula criticou a ideia do Conselho da Paz e acusou Trump de querer criar uma «nova ONU» com ele como «dono».

Até agora, cerca de 20 nações, algumas delas lideradas por aliados próximos de Trump, expressaram apoio à iniciativa, mas as grandes potências e a maioria dos países europeus mostraram-se reticentes, por considerarem que a Junta enfraquece a ONU.

Na conversa telefônica, Lula e Macron também falaram sobre a Venezuela e a recente operação militar em que os Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro. Ambos concordaram em condenar o uso da força diante da crise naquele país, classificando o ato como uma violação do direito internacional.

Os dois mandatários concordaram sobre a importância da América do Sul se manter como uma região de paz e estabilidade, afirma o comunicado do Palácio do Planalto.

Quanto à recente assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), ao qual Macron se opôs, Lula reafirmou sua visão de que o tratado é positivo para os dois blocos e que «constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras». EFE