Estados Unidos anuncia un acuerdo de trasvase de agua con México tras meses de disputa
Donald Trump. EFE/Arquivo/BONNIE CASH/POOL

HRW adverte que Trump demonstrou nos EUA «flagrante desprezo pelos direitos humanos»

Washington (EFE).- O relatório anual da ONG Human Rights Watch (HRW) advertiu que o ano transcorrido desde que Donald Trump retornou ao poder nos Estados Unidos foi marcado por «um flagrante desprezo pelos direitos humanos» e por «violações atrozes» dos mesmos em áreas que vão desde o tratamento de imigrantes e outras minorias até retrocessos na política ambiental.

Como parte da agressiva política do republicano contra a imigração, o relatório destaca que, para deter pessoas em situação irregular, no último ano «foram realizadas em centenas de lugares batidas desnecessariamente violentas e abusivas», como as vistas nos últimos dias em Minneapolis, onde dois manifestantes morreram nas mãos de agentes federais.

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Seu governo também revogou diretrizes que impediam a detenção de migrantes em «locais sensíveis», como escolas, hospitais ou centros religiosos.

A HRW assinala que a Casa Branca usou a raça e a origem étnica para criar bodes expiatórios, limitou solicitações de asilo contra o direito americano e internacional, tentou eliminar o Status de Proteção Temporária (TPS) de milhares de pessoas, prendeu injustamente cidadãos americanos e deportou sumariamente «um número crescente de imigrantes, principalmente negros e latinos, violando seus direitos ao devido processo legal e fomentando o medo».

«Alegando que existe um risco de ‘apagamento de uma civilização’ na Europa e apelando a clichês racistas para qualificar populações inteiras como indesejadas nos EUA, a Administração Trump adotou políticas e retóricas que se alinham com a ideologia do supremacismo branco», escreveu no prólogo do relatório o diretor-executivo da HRW, Philippe Bolopion.

«Imigrantes e solicitantes de asilo foram submetidos a condições desumanas e tratamentos degradantes; 32 dessas pessoas morreram em 2025 sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e outras quatro haviam morrido até meados de janeiro», acrescentou Bolopion.

Guinada rumo ao autoritarismo

Tudo isso, somado ao destacamento da Guarda Nacional em diferentes cidades sob pretextos para consolidar o poder do governo federal, às represálias contra supostos inimigos políticos e às tentativas de neutralizar o sistema americano de pesos e contrapesos, sustenta, segundo o relatório, «uma marcada guinada rumo ao autoritarismo nos EUA».

O documento lembra que, já no primeiro dia de seu segundo mandato, Trump ordenou a eliminação de todos os programas federais de diversidade, equidade e inclusão (DEI), «a primeira de uma série de ações que minaram iniciativas e instituições projetadas para combater a discriminação racial e de outro tipo».

Desde então, o governo do republicano tentou «apagar a história da população negra» americana e «minimizar ou ocultar a injustiça racial» no país.

Os EUA, junto com o Japão o único país do G7 que mantém a pena de morte, executaram 47 pessoas em 2025, recorda o estudo, que assinala também que a nação norte-americana mantém uma taxa de jovens detidos «que mais que dobra a média mundial».

O relatório também aponta que crianças continuam sendo processadas judicialmente como adultos, especialmente por crimes considerados graves, e que os EUA são o único país do mundo que permite que menores de idade sejam condenados à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Além disso, indica que no primeiro ano do segundo mandato de Trump e três anos após a Suprema Corte revogar a proteção federal ao aborto, a legislação para restringir direitos sexuais e reprodutivos das mulheres continuou aumentando em vários estados do país, onde o gabinete do republicano cortou ou anulou fundos para programas de saúde reprodutiva e planejamento familiar.

Ataques contra a comunidade transgênero

Além disso, o governo Trump «intensificou os ataques contra as comunidades transgênero» e promoveu e impulsionou as proibições, vigentes já em mais da metade dos estados do país (27), de oferecer atendimento médico de afirmação de gênero para menores, medidas às quais o Supremo Tribunal deu aval em junho.

À feroz luta contra as energias renováveis soma-se também o fato de o magnata imobiliário ter retirado o país do Acordo de Paris e de a Agência de Proteção Ambiental (EPA) ter proposto revogar a noção de que os gases de efeito estufa colocam a saúde em perigo.

Na política externa, a HRW lembra que o atual governo americano decidiu, entre outras coisas, ampliar as sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e tentar minar outras instituições – das quais se retirou – que foram criadas para a defesa dos direitos básicos, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Também pontua que o governo liquidou quase toda a ajuda externa americana ao desmantelar sua agência USAID.

Menção à parte no relatório merecem os ataques militares no Caribe e no Pacífico contra o que Washington afirma serem lanchas que transportam drogas. Essas investidas deixaram mais de 120 mortos e constituem «execuções extrajudiciais flagrantemente ilegais segundo o direito internacional», conforme destaca o documento. EFE