Nova Délhi (EFE).- O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, convocou nesta quinta-feira a comunidade internacional a enfrentar os riscos da inteligência artificial (IA), entre os quais citou o domínio da tecnologia por poucos, o distanciamento do interesse geral e a possibilidade de enfraquecimento da democracia.
Sánchez fez este apelo em seu discurso na IV Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, organizada pela Índia com a presença de cerca de 20 chefes de Estado ou de governo, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo francês, Emmanuel Macron.
O chefe do Executivo espanhol assegurou que a IA está dotando a humanidade de um poder sem precedentes, podendo ampliar o conhecimento, impulsionar a produtividade e melhorar o bem-estar. Contudo, advertiu que esta tecnologia deve ser guiada por valores humanos.
«A IA deve aplicar a liberdade, a democracia e os direitos humanos, não miná-los», alertou Sánchez, convencido de que o progresso sem ética não é progresso, assim como a inovação sem propósito nem liderança conduz ao fracasso.
À medida que a IA se acelera, o presidente do governo da Espanha defendeu que a resposta a essa situação também avance, pois existem riscos reais e crescentes, como a concentração extrema de poder. Nesse sentido, também citou o uso indevido por atores maliciosos e a perda de controle humano.
Outros aspectos abordados foram o custo ambiental e o risco de um deslocamento massivo de postos de trabalho. Segundo estimativas do governo espanhol, a IA poderia afetar até 50% das vagas administrativas de nível básico nos próximos anos.
Para Sánchez, a resposta deve ser dupla: ativada por cada governo em seus marcos nacionais e por meio de um marco de governança global inclusivo liderado pela ONU.
O líder espanhol celebrou a criação do Painel de Especialistas em IA por parte da Organização das Nações Unidas e antecipou que a Espanha espera sediar a primeira reunião do grupo nos próximos meses.
A participação de Sánchez na cúpula ocorre em meio a um embate dialético com o proprietário do X, Elon Musk, que tem criticado decisões espanholas para tornar as redes sociais responsáveis pelo conteúdo publicado e medidas como a proibição de acesso para menores de 16 anos.
Nesta quarta-feira, Sánchez reiterou a necessidade de regras contra algoritmos que difundem conteúdos violentos ou de ódio, classificando as reações de Musk como «toscas» e «ameaçadoras».
O governo espanhol também invocou o Estatuto Orgânico do Ministério Público para investigar possíveis crimes de pornografia infantil gerada por IA nas plataformas X, Meta e TikTok. EFE





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