Brasília (EFE).- Jovens brasileiros que participaram nesta terça-feira em Brasília de um fórum promovido pela ONU defenderam a necessidade de fomentar a educação política como forma de melhorar a qualidade da democracia e ampliar a confiança nas instituições.
A necessidade de «deselitizar» a política e uma melhor formação dos cidadãos foram os eixos transversais de um debate sobre democracia e mobilidade social, realizado no âmbito do encontro «Governos do Futuro: Expectativas da Juventude», organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com o apoio da Agência EFE.
Durante o debate, Juliana, uma jovem de Brasília, disse que «a democracia tem muita relação com a capacidade de acesso» à política, o que está estreitamente ligado ao nível social.
«Sinto que para que a juventude tenha confiança de novo na democracia, é necessário o empoderamento da juventude», declarou, ressaltando que, em sua opinião, isso deve se materializar através da educação.
Segundo a jovem, no ensino médio deveria haver uma «disciplina fundamental» que tratasse das responsabilidades dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, para que todos pudessem conhecer o papel de cada instituição e, assim, fiscalizá-las.
«A política está muito elitizada. Quem tem tempo de ir fazer uma manifestação? As pessoas de baixa renda que conseguem ir à universidade também têm que trabalhar e não têm tempo para participar da política», resumiu Catarina, outra participante do debate.
Outra jovem, Maria Luiza, chamou a atenção para o efeito do desconhecimento da política nas regiões rurais afastadas dos grandes centros urbanos, afirmando que a falta de informação nessas zonas propicia a compra de votos.
«A falta de informação faz com que as pessoas do interior não tenham noção da verdadeira importância do seu voto», destacou.
Por sua vez, Victor assegurou que, fruto desse desconhecimento do papel das instituições, está notando uma crescente «descredibilização» da juventude em relação à política, o que se traduz em uma desconexão com os partidos e candidatos.
«Sinto que não sou ouvido e que a democracia não dá o retorno devido. Você olha para a urna e não se vê representado por ninguém», comentou.
O encontro «Governos do Futuro: Expectativas da Juventude», que será realizado hoje e amanhã em Brasília, é um espaço de debate para que os jovens brasileiros e do restante da América Latina expressem suas visões sobre a democracia e suas perspectivas sobre o futuro do modelo político. EFE







