Jovens reivindicam «América Latina mais justa e com mais oportunidades» 

Brasília (EFE).- Os jovens latino-americanos querem ser protagonistas na tomada de decisões e ter mais oportunidades, como se pôde concluir nos dois dias de debates encerrados nesta quarta-feira no fórum ‘Governos do Futuro: Expectativas da Juventude’, realizado em Brasília.

O evento, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) com o apoio da Agência EFE, terminou com a discussão de uma carta aberta com demandas que será dirigida às autoridades.

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Keven Paca, estudante de Geografia de 22 anos que vive na periferia de Brasília, avaliou que as propostas, dirigidas aos governantes da região, cristalizam o que importa para as juventudes.

«Conseguimos criar propostas que se transformaram em uma carta, que espero que seja recebida com muito carinho e respeito por nossos governantes para que possamos ter uma América Latina e um Caribe melhores, mais justos e com mais oportunidades para os jovens», declarou Paca à EFE.

PEDIDO DE MEDIDAS DE PROTEÇÃO CONTRA A DESINFORMAÇÃO

Os jovens colocaram suas reivindicações na Carta da Juventude pelo Futuro da Democracia, uma declaração política de cinco pontos com pedidos concretos ao Estado, para garantir a participação política dos jovens, a aplicação de políticas de inclusão e de proteção contra a desinformação.

O ponto mais inovador foi o pedido de regulação das plataformas digitais para garantir a transparência dos algoritmos e a responsabilização das ‘big techs’ pela divulgação de conteúdos falsos.

Justamente hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que obriga as plataformas de redes sociais a retirarem conteúdo ofensivo de forma preventiva e sem necessidade de uma decisão judicial, em especial no caso de crimes graves, como terrorismo, ataques à democracia, racismo, homofobia e violência contra a mulher.

De forma paralela, a declaração pediu a incorporação da alfabetização midiática e digital no currículo escolar, para dar ferramentas aos jovens para se protegerem contra a desinformação, que se agrava com o uso cada vez maior da inteligência artificial.

O documento também demanda uma maior proteção contra a violência contra jovens mulheres, negros, indígenas e minorias sexuais, assim como a garantia de direitos e serviços para as populações vulneráveis e marginalizadas.

Além disso, o texto reivindica ao Estado que garanta o trabalho digno e o tempo livre para que a juventude possa exercer plenamente seus direitos como cidadãos.

PERSPECTIVAS ELEVADAS, OTIMISMO LIMITADO

O fórum foi encerrado com a realização de uma enquete entre os participantes sobre sua percepção do futuro da democracia na América Latina. Ela mostrou perspectivas elevadas, mas com poucas esperanças de reformas efetivas.

Ao todo, 83,7% dos participantes do encontro consideraram um cenário ideal que ocorra uma reforma institucional destinada a garantir que a juventude se converta em um «ator político central», uma situação muito distante de sua percepção da realidade.

Por outro lado, 46% dos participantes consideraram que o cenário mais provável é que no futuro próximo se mantenha o sistema democrático atual, sem grandes mudanças, e 31% vislumbram um crescimento dos discursos populistas que transformaram a América Latina na região com um grau mais acentuado de polarização política.

Esse diagnóstico foi compartilhado por jovens de toda a América Latina, que participaram do evento em vídeos compilados por jornalistas da Agência EFE em países como Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai, República Dominicana e Venezuela.

Esses jovens concordaram que o distanciamento das novas gerações em relação à política não responde a uma apatia intrínseca, mas a barreiras estruturais e a um acentuado «adultocentrismo» nas instituições públicas.

Eles alegaram que a atividade partidária deixou de ser vista como uma vocação e se transformou em um «negócio elitista» monopolizado por cúpulas de poder.

Para reverter essa crise, os jovens propõem soluções urgentes que incluem transitar em direção a um «voto consciente», democratizar os partidos políticos e transformar os processos eleitorais em verdadeiros sistemas de fiscalização cidadã. EFE