EFE/Arquivo/Fernando Bizerra

Brasil pretende reforçar comércio com Espanha oferecendo de frutas a biocombustíveis

Belén Delgado |

Madri (EFE).- Em meio às atuais turbulências internacionais, o Brasil confia em estreitar os vínculos comerciais com a Espanha aproveitando a sintonia entre seus governos e o acordo UE-Mercosul, com uma oferta de mais de 400 produtos que variam de frutas a biocombustíveis.

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O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, detalhou em entrevista à Agência EFE as oportunidades que se abrem no âmbito da primeira cúpula Espanha-Brasil, realizada nesta sexta-feira na cidade de Barcelona, e diante da entrada em vigor do pacto entre a União Europeia (UE) e o Mercosul em 1º de maio.

Müller, que assumiu o novo cargo este mês, ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, «têm uma ótima relação», somada à proximidade entre «dois grandes países democráticos».

Comércio bilateral

No nível econômico, os intercâmbios comerciais dobraram na última década e, em 2025, situaram-se perto de US$ 13 bilhões.

Destacam-se as vendas brasileiras à Espanha de petróleo (37%), soja (18%), farelos para alimentação animal (7%) e minérios de cobre (7,2%), evidenciando o peso da indústria extrativa e agrária.

A Espanha, quinto maior destino das exportações brasileiras, será «um dos grandes países beneficiados junto com o Brasil» pelo acordo entre Mercosul e UE, na opinião de Müller.

«Em um contexto mundial complexo de aumento de tarifas, contenciosos e guerras, Europa e Mercosul, Brasil e Espanha estão fazendo o contrário, assumindo uma postura de negociação, de mais acordos e entendimento, diferentemente de outros países», sustentou.

Acordo UE-Mercosul

A ApexBrasil identificou 418 produtos com potencial de exportação para o mercado espanhol, entre eles abacates, peças para motores e carne bovina desossada.

Segundo seu presidente, o acordo UE-Mercosul deixará sem tarifa 543 produtos brasileiros a partir de maio, o que permitirá ao Brasil aumentar seu fluxo comercial para o bloco europeu em US$ 1 bilhão.

No setor agropecuário, além da soja e da alimentação animal, o Brasil pode oferecer sua alta produção de frutas coincidindo com o inverno europeu, de menor disponibilidade, de forma que ambos os mercados se complementem.

Müller também vê oportunidades na exportação para a UE de biocombustíveis – tanto etanol quanto biodiesel – e de carne bovina.

Diante dos receios que o acordo despertou em agricultores espanhóis e europeus, o presidente da ApexBrasil considera que «essas preocupações muitas vezes são naturais porque são setores que não se conhecem muito bem».

No entanto, ressalto que os produtos sensíveis possuem cotas e salvaguardas, negociadas até o fim para evitar desequilíbrios.

Modelo de crescimento próprio

Além disso, «o Brasil desenvolveu um modelo de agricultura tropical único no mundo, com tecnologia própria» e «uma experiência crescente em agricultura regenerativa», assegurou Müller, enfatizando o esforço para mostrar que a agricultura brasileira é «integrada, sustentável, tropical e diferente».

No âmbito dos investimentos, destacou que os aportes brasileiros na Espanha vão do setor de proteínas animais (ovos) à transformação digital, enquanto no Brasil operam grandes atores espanhóis como Aena e Telefónica.

Müller também encorajou as empresas espanholas a investirem, afirmando que o Brasil «passa por seu melhor momento» e é «um país estável, sem conflitos, com normas claras e que participa ativamente na busca de soluções globais, seja na transição energética, no clima ou na sustentabilidade». EFE