EFE/Jaime León

Milhares de pessoas expressam lealdade ao líder supremo com passeatas por todo o Irã

Teerã (EFE).- Milhares de iranianos participaram nesta quarta-feira de passeatas em homenagem ao líder supremo Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde sua escolha, em meio a mensagens dos Estados Unidos que levantam dúvidas sobre quem lidera a república islâmica.

Na praça Engelab, em Teerã, bandeiras e cartazes com os rostos de Mojtaba e de seu pai e antecessor morto, Ali Khamenei, eram abundantes, criando uma atmosfera festiva com shows, malabarismo, jogos infantis e leituras do Alcorão.

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Em algumas barracas, dardos eram atirados em fotos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e bandeiras de seus países eram pisoteadas.

Os eventos coincidem com o aniversário do nascimento do imã Reza, o oitavo do xiismo e o único sepultado no Irã, na cidade de Mashhad, no nordeste do país. Seu nascimento é comemorado todos os anos na República Islâmica, geralmente em Mashhad e com celebrações menores do que nesta ocasião.

A grande celebração deste ano, focada na lealdade a Mojtaba, ocorre após as declarações de Trump de que há confusão sobre quem está no comando do Irã e que existem divisões entre seus líderes, criando dificuldades nas negociações entre os dois países.

Mojtaba foi nomeado líder supremo em 8 de março, após EUA e Israel terem matado Khamenei, e quase dois meses depois, ninguém o viu ou ouviu falar dele. Apesar disso, muitos iranianos não hesitam em declarar sua lealdade ao novo líder, que tem 56 anos.

«Estou aqui para declarar minha lealdade ao líder supremo e assegurar-lhes que continuaremos a apoiá-lo e ao sistema islâmico, seguindo suas diretrizes à risca», disse à Agência EFE Yavad, um engenheiro mecânico de 34 anos, em Teerã.

O jovem afirmou que, se o país permanecer unido e evitar a divisão, não será derrotado. Ele também expressou seu apoio à continuidade das negociações com os EUA, que estão paralisadas devido à recusa do Irã em dialogar em função do bloqueio naval americano.

Para Masumeh, uma dona de casa de 54 anos, as comemorações de hoje são um ato de lealdade a Mojtaba e uma celebração da vitória na guerra que começou em 28 de fevereiro e do cessar-fogo que entrou em vigor em 8 de abril.

Masumeh não apoia as negociações porque acredita que Trump não está honrando seus compromissos políticos e violará qualquer acordo final. Segundo a imprensa americana e iraniana, Teerã propôs que as negociações se concentrem inicialmente na reabertura do estreito de Ormuz, atualmente bloqueado por ambos os lados, e na obtenção de um acordo de paz, seguido por uma revisão do programa nuclear iraniano.

Fontes do governo disseram à imprensa americana que Trump não aprovou o plano, e os dois lados continuam em impasse sobre o estreito. EFE