Joseph Aoun. EFE/Arquivo/WAEL HAMZEH

Presidente libanês diz que «massacre» cometido por Israel desafia esforços pela paz

Beirute (EFE).- O presidente libanês, Joseph Aoun, advertiu que o “massacre” cometido nesta quarta-feira por Israel em diversos pontos do Líbano — ataques que causaram dezenas de mortos e centenas de feridos — ignora os esforços voltados para a conquista da paz no Oriente Médio após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.

“Hoje, Israel volta a intensificar sua agressão, perpetrando mais um massacre que se soma ao seu histórico sombrio, desafiando flagrantemente todos os valores humanos e ignorando todos os esforços voltados para a redução da tensão e a estabilidade”, afirmou a Presidência libanesa em um comunicado.

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Aoun denunciou que “esses ataques bárbaros” ignoram todos os acordos alcançados, em referência ao cessar-fogo entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, que entrou em vigor em novembro de 2024, mas que tem sido violado quase diariamente desde então.

Diante dessa nova escalada, o chefe de Estado libanês responsabilizou “plenamente Israel pelas suas consequências” e afirmou que essas ações “só levarão a maior tensão e instabilidade num momento em que todos precisamos, mais do que nunca, de uma redução da tensão e do respeito aos compromissos”.

“Enfatizamos a necessidade de que a comunidade internacional assuma sua responsabilidade para deter esses ataques repetidos e pôr fim a essa abordagem agressiva que ameaça a segurança e a estabilidade na região”, declarou.

Nesta quarta-feira, o Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública libanês afirmou que “a força aérea inimiga israelense lançou uma onda de ataques simultâneos em várias regiões libanesas, o que resultou em um balanço inicial de dezenas de mortos e centenas de feridos”.

As Forças de Defesa de Israel afirmou que se trata de seu “maior ataque” no Líbano desde o início das hostilidades contra o país mediterrâneo, em 2 de março, no contexto da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Após a entrada em vigor, na terça-feira, da trégua entre Washington e Teerã, o Hezbollah já orientou os libaneses, em comunicado, a “manterem a paciência, a firmeza e a espera”, e pediu que não retornassem às zonas atingidas pelos bombardeios “antes que seja emitida a declaração oficial e definitiva do cessar-fogo no Líbano”.

“Este inimigo traidor e bárbaro, que busca fugir da realidade de sua derrota, pode recorrer a tentativas enganosas para criar uma falsa impressão de vitória que não conseguiu alcançar no campo de batalha”, previu então a formação xiita aliada do Irã.

Segundo as autoridades libanesas, mais de 1.500 pessoas morreram em território libanês e outras 4.800 ficaram feridas nos ataques de Israel após o início, no final de fevereiro, da guerra no Oriente Médio. EFE