Pequim (EFE).- O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, defendeu nesta quinta-feira o futuro estabelecimento de um tratado de livre-comércio (TLC) com a China como algo “para o bem” de seu país e argumentou que “se todo o Mercosul decidisse ao mesmo tempo embarcar nisso, talvez fosse muito melhor”.
“Temos certeza de que, mais cedo ou mais tarde, isso acontecerá. O que estamos fazendo é avançando um pouco mais rápido”, disse Lacalle em entrevista coletiva em Pequim, no final de sua visita oficial de quatro dias à China.
Um dos principais objetivos da viagem do presidente foi justamente avançar nas negociações para o TLC entre o Uruguai e o gigante asiático, que começou oficialmente em julho de 2022, uma vez que os estudos de viabilidade foram concluídos “positivamente”, segundo o presidente uruguaio comentou à época.
Lacalle Pou declarou que na próxima cúpula do Mercosul – bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai -, a ser realizada no início de dezembro no Brasil, ele irá propor formalmente uma reunião entre o grupo e a China e também oferecerá o Uruguai como sede de um possível fórum entre o gigante asiático e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
“O protecionismo é um ataque à liberdade. Liberdade é livre-comércio e, como fizemos bem as coisas como país, podemos fechá-las bem. O Uruguai vai aproveitar todas as oportunidades para quebrar a lógica do protecionismo primeiro em nossa região e depois se abrir para o resto do mundo”, analisou o líder uruguaio.
Ele lembrou que, por parte do Uruguai, “muitos governos ao longo de muitos anos tomaram medidas em diferentes velocidades” para chegar a um TLC com a China.
Nesse sentido, defendeu a importância de “acelerar” porque “aqueles que estão no governo devem ter o tempo como um elemento-chave em sua gestão” e “as coisas não devem ser feitas apenas bem, mas rapidamente”.
“O mundo não espera, é cada vez mais dinâmico e devemos estar na vanguarda da inovação e do comércio exterior. O Uruguai está ciente do que significa um TLC com a China e, embora tenhamos desafios nesse crescimento, concordamos que é para o bem do nosso país”, argumentou.
Lacalle Pou também enfatizou que a delegação de cerca de 40 empresários que o acompanha nessa viagem ilustra a conjunção que ocorreu nesse processo entre os setores público e privado. EFE