Moscou (EFE).- O Kremlin admitiu nesta terça-feira que não descarta a possibilidade de importar hidrocarbonetos diante da escassez de gasolina e diesel em todo o país, provocada pelos ataques sistemáticos da Ucrânia contra refinarias russas, embora continue negando um déficit de combustível.
«Se forem alcançados acordos (sobre o fornecimento de combustível para a Rússia) a preços razoáveis, isso acontecerá», respondeu o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em sua coletiva de imprensa diária por telefone.
No entanto, as autoridades russas ainda não admitem que se trata de uma crise por falta de abastecimento de combustível, provocada pelos constantes ataques ucranianos contra a indústria petrolífera e a infraestrutura logística do país, e afirmam que a situação se deve a um aumento repentino da demanda.
Esta medida «seria mais um passo em direção à estabilização do mercado, que tem como objetivo reduzir o aumento repentino da demanda», explicou Peskov.
O porta-voz lembrou que, no domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, realizou uma reunião para tratar deste problema que atinge mais de 80 regiões do país, onde os postos de combustíveis impuseram restrições de atendimento aos clientes.
«Está sendo debatido um conjunto de medidas para estabilizar o mercado de combustíveis», acrescentou.
Hoje, o jornal Kommersant adiantou que o governo russo planeja reduzir a qualidade permitida da gasolina e do diesel para os níveis da norma Euro-2, depois de já tê-la rebaixado para os níveis Euro-3 no ano passado, o que coloca em risco o funcionamento correto de veículos não adaptados a combustíveis de baixa qualidade, além de trazer prejuízos ambientais.
O mesmo veículo de imprensa russo informou ontem que, devido à crise, o custo do transporte rodoviário de cargas encareceu cerca de 10%.
Na sexta-feira, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, culpou a situação pelo aumento de 20% a 30% na demanda por gasolina e diesel nas últimas semanas, negando novamente a falta de combustível no país, que é um dos principais exportadores de petróleo bruto do mundo. EFE







