Catia La mar, La Guaira (Venezuela). EFE/Miguel Gutiérrez

Situação humanitária se deteriora rapidamente na Venezuela após terremotos, diz ACNUR

Genebra (EFE).- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que está coordenando a resposta em relação à proteção e aos abrigos para os desabrigados pelos terremotos na Venezuela, afirmou nesta terça-feira que a situação humanitária nas áreas afetadas «se deteriorou rapidamente».

A agência informou que há «uma grave escassez de alimentos, o colapso dos serviços básicos e um aumento dos riscos de proteção para a população deslocada».

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O organismo indicou que as primeiras avaliações em campo – realizadas nos últimos dias 26 e 27 nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo – confirmam um aumento da vulnerabilidade da população deslocada.

Segundo os dados atualizados, cerca de 16.000 pessoas foram afetadas de tal forma que precisaram procurar um local alternativo para viver, embora nem todas tenham conseguido e precisem permanecer nas ruas.

«Metade das pessoas avaliadas está abrigada em casas de parentes ou vizinhos, enquanto 39% permanecem em ruas e espaços públicos, e o restante em igrejas, escolas ou instalações improvisadas que não cumprem os padrões mínimos de proteção, privacidade ou higiene», afirmou em Genebra a porta-voz do ACNUR, Carlotta Wolf.

Além disso, 17% dos entrevistados relataram a presença de menores não acompanhados ou separados de suas famílias, motivo pelo qual o Grupo de Proteção das Nações Unidas – liderado pelo ACNUR, mas com a participação de outras agências da ONU, como o UNICEF – iniciou uma campanha para a identificação, localização e reunificação familiar.

Wolf informou que, em colaboração com a Cáritas, foi aberto um centro para o recebimento e armazenamento de doações para facilitar a distribuição de assistência.

Um funcionário do Programa Mundial de Alimentos (PMA) na Venezuela declarou na segunda-feira à Agência EFE que está ocorrendo um «caos logístico» devido à quantidade de pessoas que tentam, de boa vontade, fornecer ajuda de forma espontânea, e pediu que haja uma organização logística para respeitar a dignidade das pessoas e garantir uma distribuição adequada da assistência.

Questionada pela EFE sobre os relatos que circulam nas redes sociais sobre uma suposta falta de transparência por parte das autoridades venezuelanas na entrega da ajuda, Wolf limitou-se a responder que, em casos como este, as agências das Nações Unidas «costumam apoiar a resposta liderada pelo governo, o que também está ocorrendo nesta situação». EFE