Ruy A. Valdés |
Seul (EFE).- O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, chega nesta quarta-feira ao Chile, segunda parada de sua viagem pela América do Sul, para avançar na renovação do tratado de livre-comércio (TLC) bilateral – o primeiro deste tipo na história do país asiático – e impulsionar uma parceria no setor de recursos minerais.
«A economia atual é marcada pelo comércio digital, pela inteligência artificial, pelas tecnologias limpas, pelas cadeias de suprimento resilientes e pela transição para a neutralidade de carbono», disse Lee em entrevista à Agência EFE, antes de seu encontro nesta quinta-feira em Santiago com o presidente chileno, José Antonio Kast.
Razões pelas quais «o TLC entre Coreia do Sul e Chile deve evoluir para refletir essas novas realidades», afirmou o mandatário sul-coreano, ao identificar como prioridade da viagem a modernização do primeiro acordo transpacífico que conectou o Leste Asiático à América Latina.
Modernizar uma relação histórica
Embora tenha destacado seu valor nas relações diplomáticas desde sua entrada em vigor em 2004, Lee considerou que o pacto deve se adaptar às «mudanças dramáticas» que ocorreram desde então.
Para isso, os dois países querem elevar a parceria econômica reativando sua Comissão de Livre-Comércio, impulsionando as conversas para modernizar o acordo e aprofundando a cooperação em cadeias de suprimento resilientes, explicou Lee.
O presidente sul-coreano defendeu que modernizar o acordo não consiste apenas em atualizar regras comerciais, mas em abrir oportunidades empresariais, apoiar a inovação e fortalecer indústrias emergentes.
A atualização do tratado com o Chile, primeiro país sul-americano a reconhecer a Coreia do Sul em 1949, pretende incorporar áreas como normas trabalhistas e igualdade de gênero, acrescentou.
Busca por continuidade com Kast
Durante a cúpula de Lee com o então presidente chileno, Gabriel Boric, no ano passado na Coreia do Sul, ambos os líderes concordaram sobre a importância de modernizar o TLC bilateral, o primeiro do tipo assinado pela Coreia do Sul.
Um compromisso que o mandatário sul-coreano espera ter continuidade, apesar da mudança de rumo político com Kast, que assumiu o cargo em março deste ano.
«O que me dá confiança é que a relação entre Coreia do Sul e Chile nunca dependeu de uma única administração. Desde o estabelecimento de relações diplomáticas em 1962, Coreia do Sul e Chile construíram uma amizade baseada na confiança mútua, em valores compartilhados e em instituições que se fortaleceram ao longo de mais de seis décadas», afirmou.
Reforçar a cooperação em mineração
Além da modernização do tratado comercial, Lee antecipou que ambos os países assinarão um memorando de entendimento sobre uma parceria em recursos minerais durante sua visita.
«O objetivo é trabalhar juntos para estabilizar as cadeias globais de suprimento de minerais críticos», disse Lee, antes de destacar que o Chile possui as maiores reservas mundiais de lítio e cobre, enquanto a Coreia do Sul representa uma fonte estável de demanda e de indústrias avançadas.
Pontos fortes que abrem portas para a formação de uma cadeia competitiva que abranja desde o desenvolvimento e processamento de minerais até a manufatura avançada, ressaltou.
Defesa, oceano e cultura na agenda
O presidente sul-coreano assinalou que na visita também será expandida a cooperação em áreas de «forças complementares» dos dois países, como infraestrutura, indústria de defesa e segurança pública e marítima.
«Também espero trabalhar estreitamente com o Chile para garantir o sucesso da Quarta Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que nossos dois países coorganizarão em 2028», comentou.
A visita de Lee faz parte de um périplo sul-americano que começou no Brasil, onde se reuniu na segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e concordou em criar um grupo de trabalho para facilitar um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul.
Por fim, na sexta-feira, o presidente sul-corano se reunirá em Buenos Aires com seu homólogo argentino, Javier Milei. EFE







