Paris (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira que a situação em que se encontra a Groenlândia, um território autônomo dependente da Dinamarca que seu homólogo americano, Donald Trump, anseia controlar, «é um alerta estratégico para toda a Europa».
«Os acontecimentos recentes confirmam que a situação na Groenlândia constitui um alerta estratégico para toda a Europa», afirmou Macron em uma declaração no Palácio do Eliseu ao lado da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e do primeiro-ministro da ilha ártica, Jens-Frederik Nielsen, com os quais participa hoje de um almoço de trabalho.
E acrescentou: «Estamos profundamente comprometidos com o princípio de soberania e integridade territorial com todos os nossos parceiros da União Europeia, e a França continuará defendendo esses princípios de acordo com a Carta das Nações Unidas».
Dada a importância «crucial» da segurança no Ártico diante da presença russa, da influência econômica da China e das consequências estratégicas da aproximação entre esses dois países, Macron ressaltou que compartilha «a necessidade de reforçar nossa postura defensiva no Ártico».
Lembrou que vários Estados europeus, incluindo a França, começaram a fazê-lo como parte de exercícios conjuntos de resistência, a pedido da Dinamarca, e também apoia uma maior participação da Otan no Ártico, mediante a «criação de uma atividade de vigilância reforçada», à qual a França está disposta a aderir, disse.
«A União Europeia deve desempenhar plenamente seu papel nesses esforços, incluindo a revisão de sua estratégia para o Ártico neste ano», declarou o mandatário francês.
Após expressar a solidariedade da França com Dinamarca e Groenlândia, o chefe de Estado francês manifestou seu desejo de «acelerar a implementação da parceria estratégica assinada em 2023 entre União Europeia e Groenlândia».
«Esta parceria deve permitir o desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis, em particular no setor de matérias-primas estratégicas», explicou Macron, após enumerar as questões estratégicas às quais a Europa, segundo ele, deve prestar mais atenção para reafirmar a soberania europeia.
Citou, concretamente, a contribuição europeia «para a segurança do Ártico, o combate à ingerência estrangeira e à desinformação na luta contra as mudanças climáticas, e em uma parceria privilegiada para o desenvolvimento sustentável e a redução das dependências estratégicas».
Macron lembrou, por último, que o consulado francês em Nuuk já está aberto e que o cônsul-geral, nomeado neste mês, se instalará no início de fevereiro para fortalecer a colaboração «em todas as suas vertentes».
Europa forte diante de pressões
A primeira-ministra dinamarquesa assinalou que «a ordem mundial está sob pressão» e inclusive «desapareceu», e que nessas circunstâncias «precisamos de uma Europa mais sólida do que nunca», que tenha «a vontade e a capacidade de defender nossos valores e nossos princípios».
Frederiksen afirmou que não se deve aceitar «nenhuma concessão» em relação a esses valores, que são «a democracia, a soberania e o direito de cada país de decidir seu próprio futuro», e se mostrou convencida de que a Europa pode resistir a essa pressão quando «é firme e está unida».
Afirmou que a prosperidade futura depende «unicamente» dos europeus, e isso exige que sejam capazes de se defender, que se mantenham unidos no apoio à Ucrânia, mas também que criem um ambiente favorável para as empresas.
Em referência clara às investidas de Trump para tentar assumir o controle da Groenlândia, Frederiksen disse que uma das lições é que, «se estivermos unidos, se não aceitarmos nenhuma concessão sobre nossos valores democráticos, se nos comunicarmos de forma muito clara, em particular quando há uma pressão do exterior (…), podemos nos defender e avançar juntos».
Em resposta às preocupações manifestadas por Trump sobre a segurança, usadas como argumento para justificar suas ambições sobre a Groenlândia, disse que a Otan «deveria ter um papel muito mais importante na região ártica, no Grande Norte, e isso inclui a Groenlândia e o entorno da Groenlândia».
Ela ressaltou que isso é algo que seu país pede há muito tempo e acrescentou que, até que se concretize uma possível mobilização da Otan, é «muito importante» o exercício militar organizado neste mês a pedido da Dinamarca, do qual participaram oito países europeus.
O primeiro-ministro da Groenlândia, por sua vez, agradeceu o apoio recebido da França «em uma situação extremamente difícil» e mostrou sua intenção de «explorar novas oportunidades» de intercâmbios comerciais, culturais, educacionais e de cooperação.
Nielsen destacou que essa cooperação vai além da Groenlândia e responde a «valores do mundo», citando «a democracia, o respeito à ordem e ao direito, e à integridade territorial». EFE






