López Obrador nega intervenção dos EUA na prisão do filho de “El Chapo”

Cidade do México (EFE).- O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, negou nesta sexta-feira que os Estados Unidos tenham participado da prisão de Ovidio Guzmán, um dos filhos de “Chapo” Guzmán mais procurados por Washington, e que a captura estivesse relacionada com a visita de Joe Biden.

“Não (os EUA participaram), eu já expliquei a eles. É uma decisão tomada e é rotineira. O mais importante da nossa estratégia é evitar que as pessoas tenham que se dedicar ao crime”, afirmou durante sua entrevista coletiva diária, quando questionado sobre o envolvimento das agências americanas.

Ovidio Guzmán foi preso na madrugada da última quinta-feira em Sinaloa após uma operação das Forças Armadas mexicanas, que deixou quase 30 mortos, das quais dez eram militares e 19 integrantes do crime organizado.

“Agimos de forma autônoma, independente, há cooperação e continuará havendo, mas tomamos as decisões como um governo soberano e independente, e tomamos essas decisões no gabinete de segurança”, enfatizou o presidente.

A prisão surpreendeu, pois ocorreu dias antes da visita de Joe Biden ao México por ocasião da Cúpula de Líderes da América do Norte, o que abriu espaço para especulações sobre a possibilidade de que a prisão do narcotraficante esteja diretamente relacionada ao referido evento.

“Sobre as interpretações, são muitas, nós as respeitamos, claro que não as compartilhamos porque agimos de forma autônoma”, comentou López Obrador sobre o assunto.

A oposição também vinha especulando sobre a conivência do governo com o crime organizado, mas defendeu que a operação foi realizada com “retidão e integridade”.

“Eles podem inventar o que quiserem”, disse.

Ovidio Guzmán foi transferido ontem à noite para o Centro Federal de Readaptação Social (Cefereso) número 1 Altiplano – também conhecido como prisão de Almoloya -, localizado no estado do México, onde seu pai estava detido e do qual fugiu em 2015.

O governo mexicano reconheceu que existe um pedido de extradição nos Estados Unidos, que em dezembro de 2021 ofereceu US$ 5 milhões por informações para sua captura, mas advertiu que não será extraditado às pressas. EFE